sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Missa de sétimo dia pelas vitimas do desabamento no Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO, 03 Fev. 12 / 08:24 am (ACI)
Familiares, amigos, autoridades, pessoas que de alguma forma se envolveram com os desastres, compareceram a uma Missa de sétimo dia presidida pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, na Catedral de São Sebastião, por todos os falecidos nos desabamentos dos prédios do centro da cidade.
A Catedral, que fica localizada bem próxima ao local dos desabamentos, ficou cheia. O Arcebispo ressaltou que uma semana é um tempo muito curto para superar todo o sofrimento das famílias.
“Uma semana já se passou e eu creio que ainda não deu tempo de enxugar as lágrimas, principalmente as famílias daqueles que partiram nessa tragédia. (...) Essa missa é um olhar para todos. Para mostrar que a nossa cidade é solidária, fraterna com gente de fé”, disse arcebispo em declarações reunidas pelo portal da Arquidiocese carioca.
No início da celebração, ao convidar os fiéis para rezar pelo descanso das vitimas, Dom Orani recordou também aqueles que se envolveram no salvamento das vitimas e acolhimento das famílias. Concelebraram a Missa, os Bispos Auxiliares do Rio de Janeiro, Dom Nelson Francelino, Dom Antônio Augusto e Dom Pedro Cunha, além de outros sacerdotes.
Durante a Homilia, Dom Orani motivou os presentes a não desanimarem perante as dificuldades. Ele lembrou que Cristo venceu a morte.
“Hoje enquanto Igreja estamos rezando para que essas almas experimentem a paz que vem de Deus e nós cremos que a vida não termina na morte. Devemos olhar para a eternidade e ver que a vida do homem vai além”, afirmou o arcebispo.
Durante o abraço da Paz, Dom Orani fez questão de descer do altar e cumprimentar cada um dos familiares que ocupavam as primeiras filas da Catedral.
A Tragédia no Centro do Rio
Na noite de 25 de janeiro, por volta das 20h 30min, o edifício Liberdade, localizado na Avenida Treze de Maio desmoronou e levou consigo outros dois prédios: uma construção de quatro andares e um edifício comercial com dez pavimentos.
Segundo o último balanço, 17 corpos já foram retirados dos escombros, mas apenas 15 foram identificados. Outras cinco pessoas permanecem desaparecidas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Apresentação do Senhor

Dos Sermões de São Sofrônio, bispo
 (Orat. 3, de Hypapante,6.7: PG87,3,3291-3293)
 (Séc.VII)
 Recebamos a luz clara e eterna
 
 Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o mistério do encontro do Senhor, corramos para ele cheios de entusiasmo. Ninguém deixe de participar deste encontro, ninguém recuse levar sua luz.
Acrescentamos também algo ao brilho das velas, para significar o esplendor divino daquele que se aproxima e ilumina todas as coisas; ele dissipa as trevas do mal com a sua luz eterna, e também manifesta o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro com Cristo.
Do mesmo modo que a Mãe de Deus e Virgem imaculada trouxe nos braços a verdadeira luz e a comunicou aos que jaziam nas trevas, assim também nós: iluminados pelo seu fulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, corramos pressurosos ao encontro daquele que é a verdadeira luz.
Realmente, a luz veio ao mundo (cf. Jo 1,9) e dispersou as sombras que o cobriam; o sol que nasce do alto nos visitou (cf. Lc 1,78) e iluminou os que jaziam nas trevas. É este o significado do mistério que hoje celebramos. Por isso caminhamos com lâmpadas nas mãos, por isso acorremos trazendo as luzes, não apenas simbolizando que a luz já brilhou para nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos virá no futuro. Por este motivo, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus.
Chegou a verdadeira luz, que vindo ao mundo ilumina todo ser humano (Jo 1,9).
Portanto, irmãos, deixemos que ela nos ilumine, que ela brilhe sobre todos nós.Que ninguém fique excluído deste esplendor, ninguém insista em continuar mergulhado na noite. Mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos todos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna. Associemo-nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de ação de graças ao Criador e Pai da luz,que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do seu esplendor.
A salvação de Deus, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos pertence, a nós que somos o novo Israel. Também fez com que víssemos, graças a ele, essa salvação e fôssemos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa. Assim aconteceu com Simeão que, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.
Também nós, abraçando pela fé a Cristo Jesus que nasceu em Belém, de pagãos que éramos, nos tornamos povo de Deus – Jesus é, com efeito, a salvação de Deus Pai – e vemos com nossos próprios olhos o Deus feito homem. E porque vimos a presença de Deus e a recebemos, por assim dizer,nos braços do nosso espírito, somos chamados de novo Israel. Todos os anos celebramos novamente esta festa, para nunca nos esquecermos daquele que um dia há de voltar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Visita do Papa Bento XVI ao México

León, 26 Jan. 12 / 12:37 pm (ACI/EWTN Noticias)

O sacerdote Jaime Ramírez López do Santuário de Cristo Rei na Colina do Cubilete, contou alguns aspectos da história e a espiritualidade deste lugar se localizado no coração do México, faltando quase dois meses para a chegada do Papa Bento XVI programada para o dia 23 de março.
Em entrevista concedida ao Grupo ACI, o Pe. Ramírez explicou a importância de que o Santo Padre vá a León, um lugar profundamente católico marcado pelo testemunho de muitos mártires na Colina do Cubilete durante a perseguição religiosa.
O sacerdote recordou que o primeiro monumento ao Sagrado Coração foi construído em 1920, para pedir ao Senhor pela paz no México, "um desejo que os bispos tinham desde 1914".
Em janeiro de 1923, relatou o presbítero, colocou-se a primeira pedra para o segundo monumento ao Sagrado Coração que finalmente "não pôde ser realizado por causa da perseguição religiosa. Em 30 de janeiro de 1928 as forças do governo dinamitaram o primeiro monumento contruído e o segundo projeto já não se realizou".
Em 1942, "com as coisas mais acalmadas, manda-se a construir um monumento ao Sagrado Coração do Jesus chamado Monumento das Nuvens. Assim se começa a plasmar a idéia de um santuário a Cristo Rei promovido pelo então Bispo de León, Dom Emelterio Valverde e o Episcopado".
A primeira pedra do Santuário foi colocada no dia 11 de dezembro de 1944. O projeto da imagem de Cristo Rei foi feito pelo escultor Fideas Elizondo e a construção do santuário foi um projeto dos arquitetos Mariscal y Piña e Carlos Ituart.
O Pe. Jaime Ramírez detalhou logo que a imagem de Cristo Rei pesa cerca de 300 toneladas, mede 20 metros de altura e "tem um sentido teológico. Os anjos estão sustentando a coroa real e a coroa de espinhos, que precisamente nos falam dessa realeza de Cristo, que é o caminho do martírio para chegar a reconhecê-lo como rei e Senhor do universo".
Ao interior do monumento, à altura do coração “há um altar onde se pode celebrar a Missa. Poucas vezes celebrou-se ali, só em ocasiões muito importantes".
O sacerdote contou ao Grupo ACI que dois elementos importantes do Santuário são o altar e uma custódia monumental para o Santíssimo que está feita com pedras preciosas, mede um metro e meio de altura e foi consagrada no dia 6 de setembro de 1960.
Por ser muito pesada (quase meia tonelada) e pelo complicado seu acesso, tem "um mecanismo próprio de um elevador".
Para o presbítero, este Santuário não é "um lugar turístico, e sim um lugar de culto, oração e encontro com Deus. É um lugar para abrir a alma e deixar que Deus nos fale".
Depois de comentar que no Santuário há adoração perpétua do Santíssimo Sacramento, o Pe. Ramírez disse que entre os eventos mais importantes deste lugar está a Marcha Anual Juvenil com jovens de todo o México e diversas peregrinações pela festa de Cristo Rei.
Para o Pe. Ramírez "tem um sentido espiritual muito profundo que se tenha escolhido esta zona em torno de Cristo Rei, acredito que esse é um dos elementos da visita do Papa. Certamente ele nos falará sobre a necessidade de seguir fomentando a missão".
Diante do desânimo das pessoas, disse, esta visita papal "é uma oportunidade que Deus nos brinda, para abrir nosso coração, fortalecer nossa fé e retomar nossa identidade de discípulos missionários".
"E nada melhor que procurar esse encontro com Deus, em Jesus que nos recebe com os braços abertos (como a imagem de Cristo Rei), para que nós empreendamos esse caminho de salvação!", concluiu

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Festa da Conversão de São Paulo


Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo
(Hom. 2 de laudibus sancti Pauli: PG 50,447-480) (Séc.IV)

Por amor de Cristo, Paulo tudo suportou. O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. Cada dia ele subia mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que o ameaçavam. É o que depreendemos de suas próprias palavras: "Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente" (cf. Fl 3,13).
Percebendo a morte iminente, convidava os outros a comungarem da sua alegria, dizendo: "Alegrai-vos e congratulai-vos comigo" (Fl 2,18). Diante dos perigos, injúrias e opróbrios, igualmente se alegra e escreve aos coríntios: "Eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições" (2Cor 12,10); porque sendo estas, conforme declarava, as armas da justiça, mostrava que delas lhe vinha um grande proveito.
Realmente, no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias triunfando de todos os seus assaltos. E em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: "Graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar" (2Cor  2,14). Por isso, corria ao encontro das humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pela vida; ansiava mais pela pobreza do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma só coisa o amedrontava e fazia temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus. Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto julgava-se o mais feliz dos homens; sem isto, de nada lhe valia ser amigo dos senhores e poderosos. Com este amor preferia ser o último de todos, isto é, ser contado entre os réprobos, do que encontrar-se no meio de homens famosos pela consideração e pela honra, mas privados do amor de Cristo.
Para ele, o maior e único tormento consistia em separar-se de semelhante amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, o infinito e intolerável suplício. Em compensação, gozar do amor de Cristo era para ele a vida, o mundo, o anjo, o presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens. Afora isto, nada tinha por triste ou alegre. De tudo o que existe no mundo, nada lhe era agradável ou desagradável.
Não se importava com as coisas que admiramos, como se costuma desprezar a erva apodrecida. Para ele, tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram com mosquitos. Considerava como brinquedo de crianças os mil suplícios, os tormentos e a própriamorte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Trido de preparação para a festa da conversão de São Paulo (3º dia)

 A realidade do mundo e da sociedade no tempo do apóstolo Paulo, especialmente nos lugares onde a influência da cultura romana ficava mais forte, como por exemplo a comunidade de Tessalônica, percebemos que em muitos aspectos esta comunidade vivia uma realidade muito próxima da nossa situação hoje. Podemos citar como exemplo a globalização, que era uma das características fundamentais do império romano. Havia um grande intercâmbio cultural e comercial entre todas as regiões do império.
Nas suas cartas Paulo enfrentar o problema da libertinagem sexual, que era outra característica forte na cultura romana pagã. Bem diferente da cultura judaica, que tinha uma cultura moral bastante rigorosa. É por isso que não vamos ver Jesus, no evangelho, combatendo a libertinagem sexual, porque, no mundo judaico, onde Jesus nasceu e exerceu sua missão, era mais fácil pecar por excesso de rigor na moral sexual, como no caso da mulher adúltera, que seria apedrejada até a morte.
Bem diferente era a realidade do mundo romano, que se aproxima muito mais da nossa realidade de hoje, muito marcada pela libertinagem. Por isso, nas cartas de Paulo existe sempre uma exortação à castidade. Estas exortações de Paulo se revestem de uma grande atualidade para nossa sociedade, que tem como característica um grande apelo a uma sexualidade desordenada, como podemos constatar nos programas de TV, nos filmes, na forma de vestir e até na linguagem das pessoas. Essa mensagem, que é principalmente vinculada aos meios de comunicação, quer nos dar a entender que não há nenhuma regra a ser seguida em relação à sexualidade.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Trido de preparação para a festa da conversão de São Paulo (2º dia)


Para compreender melhor Paulo é necessário se reportar ao evento de Damasco, onde ele tem um encontro com Cristo. É nesse encontro pessoal com cristo que sua vida adquire um novo significado, uma nova direção. Paulo não era nenhum pecador pervertido, muito pelo contrário, era um homem de grande retidão moral, a ponto dele mesmo dizer: “quanto a Lei, declaradamente irrepreensível” (Fl 2,6).
O seu comportamento moral e sua vida disciplinada faziam dele um homem que confiava na sua própria justiça. Mas o seu encontro com Cristo faz com que ele mude o eixo de sua existência, que deixa de ser ele mesmo, com sua justiça, para ser Jesus Cristo e a justiça, conquistada por Cristo na cruz. Como ele mesmo vai dizer: “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina” (I Cor 1,18).
Com a conversão de Paulo, o que podemos trazer hoje para nossas vidas é que o fundamento essencial do cristianismo é o relacionamento pessoal com Cristo, e para isso é necessário um encontro pessoal com ele. Muitas vezes a idéia de conversão que temos é unicamente moral, o que significa que quem roubava, deixou de roubar; quem mentia, passou a não mentir e assim por diante. Com a conversão de Paulo, percebemos que a conversão tem um movimento primeiro, que é o encontro com Cristo, e que a conversão moral é o segundo momento da conversão.