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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Festa da Transfiguração no Oriente – 2ª parte

      O Movimento da Transfiguração tem na sua identidade uma profunda influência da tradição da Igreja Oriental. Isso é percebido pela dimensão iconográfica, na maneira de perceber a liturgia e no processo pedagógico da conversão, seguindo o caminho da transfiguração do coração.
      Para melhor mergulhar na compreensão da Transfiguração do Senhor, segue abaixo um comentário de um sacerdote da Igreja Oriental sobre a Transfiguração:
       “Os evangelistas sinóticos – Mateus, Marcos, Lucas – narram o evento da Transfiguração de modo quase idêntico: Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João – os dois últimos são irmãos -, mais vezes companheiros seus privilegiados «porque eram mais perfeitos do que os outros», afirma S. João Crisóstomo; Pedro, porque amava a Jesus mais do que os outros, João porque era amado por Jesus mais do que os outros, e Tiago porque se unira na resposta do irmão: «Sim, podemos beber do teu cálice» (cf. Mt 20,22).
      Jesus os conduz à parte a uma “alta montanha”, lugar por excelência das manifestações divinas; dirá a Tradição: o monte Tabor. Ali ele aparece radiante de uma luz esplêndida que emana “tanto de seu rosto brilhante como o sol” como de suas vestes – obra do homem, da cultura humana – e se irradia pela natureza circunstante, como o mostram os ícones.
      Moisés – a lei – e Elias – os profetas – aparecem e conversam com Jesus. A primeira aliança aponta para a última. Lucas precisa que a conversa tem como tema o êxodo, a partida do Senhor. Pedro, em êxtase, sugere construir três tendas, na esperança de poder permanecer longamente naquele estado. Mas tudo está envolvido pela “nuvem luminosa” do Espírito, da qual ressoa no coração dos três discípulos agitados, prostrados com a face por terra, a voz do Pai: “Este é o meu Filho, o amado, escutai-o!”. Depois, tudo desaparece, e permanece Jesus, sozinho, que ordena aos três guardarem segredo a respeito do que tinham visto, “até que o Filho do homem ressuscitasse dos mortos”.
      A partir do fim das perseguições romanas contra os cristãos, no século IV, foram edificadas diversas igrejas no Tabor. Sua dedicação parece estar na origem da festa que, a partir do VI século, difundiu-se por todo o Oriente Médio. No calendário ocidental foi estavelmente introduzida em 1457, pelo papa Calixto III, como reconhecimento pela recente vitória contra os turcos. Os evangelhos não permitem fixar, no ritmo anual, uma data para a Transfiguração. Com a intuição cósmica que o caracteriza, o Oriente fixou a data de 6 de agosto, grande meio-dia do ano, apogeu da luz do verão. Nesse dia se abençoam os frutos da estação; muitas vezes, nos países da bacia do Mediterrâneo, é a uva o fruto por excelência abençoado. O Ocidente, menos sensível ao alcance espiritual do acontecimento, mesmo conservando a festa da Transfiguração em 6 de agosto, preferiu acrescentar uma segunda celebração antes da Páscoa, no segundo Domingo da Quaresma, de tal modo seguindo mais de perto a cronologia da vida de Jesus.
      No Oriente, a festa põe o acento na divindade de Cristo e no caráter trinitário de seu esplendor. “Conversando com Cristo, Moisés e Elias revelam que ele é o Senhor dos vivos e dos mortos, o Deus que tinha falado na lei e nos profetas; e a voz do Pai, que sai da nuvem luminosa, “dá-lhe testemunho”, recita a liturgia bizantina.
      Contudo, a Transfiguração não é um triunfo terreno, que Jesus sempre rejeitou em sua vida – e aqui está o erro de leitura de Calixto III; nem mesmo é uma emoção espiritual para degustar – eis o erro de Pedro. É um lampejo, um esplendor daquele Reino que é o próprio Cristo, uma luz que é também a da Páscoa, do Pentecostes, da parusia quando, com o retorno glorioso de Cristo, o mundo inteiro será transfigurado.
      Moisés e Elias, já o dissemos, falam com Jesus a respeito de sua partida, de sua paixão: apenas esta última fará resplandecer a luz, não no cume do Tabor, a montanha que simbolicamente representa as teofanias e os êxtases, mas no próprio coração dos sofrimentos dos homens, de seu inferno e, enfim, de sua morte. A liturgia ainda nos ajuda a entender: “Ouvi – diz o Pai – aquele que através da cruz esvaziou o inferno e dá aos mortos a vida sem fim”.
      Para a teologia ortodoxa, a luz da Transfiguração é a energia divina (de acordo com o vocabulário precisado no séc. XIV por Gregório Palamas), isto é, o resplandecer de Deus: o mesmo Deus que, enquanto permanece inacessível na sua “supra-essência”, se torna participável aos homens por uma loucura de amor. Daqui a compreensão da importância desta festa para a tradição mística e iconográfica.
      O resplandecer, o esplendor divino é tal que joga por terra, na montanha, os apóstolos. Mesmo assim, no Tabor ele permanece uma luz externa ao homem. Ora, ela nos é doada – como centelha imperceptível ou rio de fogo – no pão e no vinho eucarísticos. Então nossos olhos se abrem e nós compreendemos que o mundo inteiro está impregnado dessa luz: todas as religiões, todas as intuições da arte e do amor o sabem, mas foi necessário que viesse o Cristo e que nele acontecesse aquela imensa metamorfose – assim os gregos denominam a Transfiguração – para que enfim se revelasse que, à nascente dos veios de fogo, de paz e de beleza presentes na história, existe, vencedor da noite e da morte, um Rosto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A liturgia é culto prestado a Deus!


Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju,
A liturgia é para nosso alimento, alento e transformação espiritual: ela nos cristifica, isto é, é obra do próprio Cristo que, na potência do Espírito, nos dá sua própria vida, aquela que Ele possui em plenitude na Sua humanidade glorificada no céu. Participar da liturgia é participar das coisas do céu, é entrar em comunhão com a própria vida plena e glorificada do Cristo nosso Senhor.
A liturgia não é feita produzida por nós, não é obra nossa! Ela é instituição do próprio Senhor. Para se ter uma ideia, basta pensar em Moisés, que vai ao faraó e lhe diz: “Assim fala o Senhor: deixa o meu povo partir para fazer-me uma liturgia no deserto”. E, mais adiante, explica ao faraó que somente lá, no deserto, o Senhor dirá precisamente que tipo de culto e que coisas o povo lhe oferte.
Isto tem a ação litúrgica de específico e encantador: não entramos nela para fazer do nosso modo, mas do modo de Deus; não entramos nela para nos satisfazer, mas para satisfazer a vontade de Deus. Por isso digo tantas vezes que o espaço litúrgico não é primeiramente antropológico, mas teológico: a liturgia é espaço privilegiado para a manifestação e atuação salvífica de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Nela, a obra salvífica de Cristo é perenemente continuada na Igreja.
O problema é que entrou em certos ambientes da Igreja uma concepção errada de liturgia, totalmente alheia ao sentido da genuína tradição cristã: a liturgia como algo que nós fazemos, do nosso modo, a nosso gosto, para exprimir nossos próprios sentimentos. Numa concepção dessas, o homem, com seus sentimentos, gostos e iniciativas, é o centro e Deus fica de lado! Trata-se, então, de uma simples busca de nós mesmos, produzida por nós mesmos; uma ilusão, pois aí só encontramos a nós e os sentimentos que provocamos. É o triste curto-circuito: faz-se tudo aquilo (coreografias, palmas, trejeitos, barulho, baterias infernais, sorrisinhos do celebrante, comentários e cânticos intimistas, invenções impertinentes e despropositadas...) para que as pessoas sintam, liguem-se, “participem”... Mas, tudo isto somente liga a assembleia a si mesma. Não passa de uma exaltação subjetiva e sentimental! Aí não se abre de fato para o Silêncio de Deus, para Aquele que vem nos surpreender com sua glória e sua ação silenciosa, profunda, consistente e transformadora. A assembleia já não celebra com a Igreja de todos os tempos e de todos os lugares; muito menos com a Igreja celeste!
O sentido da liturgia é um outro: é um culto prestado a Deus porque ele é Deus! O interesse é Deus! A liturgia é algo devido a Deus e instituído pelo próprio Deus. Quando alguém participa de uma liturgia celebrada como a Igreja determina e sempre celebrou, se reorienta, se reencontra, toma consciência de sua própria verdade: sou pequeno, dependente de Deus e profundamente amado por ele: nele está minha vida, meu destino, minha verdade, minha paz. Nada é mais libertador que isso.
Vê-se a diferença entre essas duas atitudes ante a realidade litúrgica: na visão que se está difundindo, criamos uma sensação, uma ilusão. É algo parecido com a sensação de bem-estar que se pode sentir diante de uma paisagem bonita, num bloco de carnaval, num show, num momento sublime, numa noite com a pessoa amada... Na perspectiva que a Igreja sempre teve e ensinou, não! Estamos diante da Verdade que é Deus; verdade que não produzimos nem inventamos, mas vem a nós e enche o nosso coração! Devemos procurá-la? Certamente sim: "Fizeste-nos para ti, Senhor, e nosso coração andará inquieto enquanto não descansar em ti!" Mas para isto é indispensável a capacidade de silêncio, de escuta, de abrir os olhos do coração para a beleza de Deus. A liturgia nos dá isto!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Aumenta o número de sacerdotes no mundo


BRASÍLIA, quarta-feira, 04 de julho de 2012(ZENIT.org) – Censo Anual realizado pelo Centro de Estatística e Investigações Sociais (CERIS), divulgado recentemente pela CNBB, mostra um crescimento considerável em relação às vocações sacerdotais e religiosas, confirmando no Brasil a tendência do aumento do número de sacerdotes diocesanos e religiosos no mundo que começou em 2000 e continuou em 2010.
O Censo Anual de realizado pelo CERIS — entidade brasileira de pesquisa religiosa fundada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - revelou uma “Igreja Viva”. É o que afirma a análise sociológica da evolução numérica da presença da Igreja no Brasil, feita pelo sociólogo Padre José Carlos Pereira, colaborador do CERIS.
A distribuição de padres por habitantes é um dos fatores levantados pela pesquisa. Em 2000 eram 16.772 padres. Em 2010 chegou a 22.119 padres. Em 2000 havia pouco mais de 169 milhões de habitantes e para cada sacerdote eram 10.123,97 habitantes. Dez anos depois havia aproximadamente 190 milhões de habitantes e cada padre teria o número de 8.624,97 habitantes.
Conforme o Anuário Pontifício 2012, entregue ao Santo Padre Bento XVI em março deste ano, a tendência de crescimento no número de sacerdotes no mundo começou em 2000 e continuou em 2010, ano em que foram contados 412.236 padres, dos quais 277.009 diocesanos e 135.227 do clero regular; em 2009 eram 410.593, sendo 275.542 diocesanos e 135.051 religiosos.
No total, o clero aumentou entre 2009 e 2010 em 1.643 padres. Os aumentos foram registrados na Ásia (1.695), África (761), Oceania (52) e América (40), enquanto a queda afetou a Europa (905 sacerdotes a menos).
Os dados estatísticos se referem a 2010 e fornecem uma análise sintética das principais dinâmicas da Igreja católica nas 2.966 circunscrições eclesiásticas do planeta.
A concentração do clero por regiões brasileiras, segundo a pesquisa do CERIS, mostrou que havia uma concentração maior na região sudeste em detrimento das outras regiões. Do total de padres no país a região sudeste concentrava quase metade dos sacerdotes, com 45%. O sul ficava com um quarto da população de padres, 25%, o nordeste 16%, o centro-oeste apenas 9%. Já o norte seria a região com menos padres, apenas 3%.
O quadro geral no Brasil “mostra uma vitalidade da religião católica, por meio de um borbulhar de novas modalidades, ou novas formas de viver a fé católica, por meio das novas comunidades, novos movimentos eclesiais e da volta às origens dos ideais das primeiras comunidades cristãs, que tem refletido outro quadro estatístico, que é da evolução do número de presbíteros entre os anos de 1970 e 2010, conforme vemos na atual planilha do CERIS.Isso indica um retorno ao catolicismo dos afastados, mas também uma identificação maior daqueles que já praticavam o catolicismo, mas não se sentiam muito firmes, identificados com a doutrina católica”, destaca a análise.
O Censo Demográfico 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que os católicos permanecem sendo maioria, embora haja uma maior diversidade religiosa da população brasileira. Os dados mostram que 64,6% da população professa a fé católica, havendo 72,2% de presença neste credo no Nordeste, 70,1% no Sul e 60,6% no Norte do país.
A análise mostra que outros 22,2% da população são compostos por evangélicos, 8% por pessoas que se declaram sem religião, 3% por outros credos e 2% por espíritas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Epifania do Senhor

Vendo os Magos a Criança,
vão abrindo seus tesouros
e lhe fazem oferendas
de incenso, mirra e ouro.

Ó Menino, nos presentes,
pelo Pai determinados,
reconheces sinais claros
do poder do teu Reinado.

Para o Rei é dado o ouro,
para Deus, o incenso puro.
Mas a mirra prenuncia
do sepulcro o pó escuro.

Ó Belém, cidade única
entre todas as nações,
tu geraste, feito homem,
o Autor da salvação!

Como provam os profetas,
Deus, o Pai que nos criou,
enviou Jesus ao mundo,
Juiz e Rei o consagrou.

O seu reino abrange tudo:
Oriente e Ocidente,
dia e noite, terra e mares,
fundo abismo e céu fulgente.

Glória a vós, ó Jesus Cristo,
que às nações vos revelais,
com o Pai e o Santo Espírito
pelos séculos eternais.

Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela,
concedei aos vossos servos, que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia
face a face no céu.. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade
do Espírito Santo.

sábado, 22 de outubro de 2011

Rito bizantino católico

Entronização do brasileiro D. Daniel Kozlinski Netto como Administrador da Santa María del Patrocinio de Buenos Aires, da Igreja Greco-Ucraniana Católica No último 2 de outubro, a Igreja Ucraniana Católica, de rito bizantino, em plena união com Roma, entronizou na Sé Eparquial de Buenos de Aires, D. Daniel Kozlinski Netto como seu Administrador.
D. Daniel é brasileiro, tem 59 anos, e foi Bispo Auxiliar da Eparquia de São João Batista dos Ucranianos em Curitiba, PR.








Retirado do blog salvem a liturgia

domingo, 3 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Abaixo a segunda leitura do oficio das leituras da liturgia das horas da solenidade do Sagrado coração de Jesus.
Das Obras de São Boaventura, bispo

Opusculum 3, Lignum vitae, 29-30.47 Opera omnia 8,79)
(Séc.XIII)

"Em vós está a fonte da vida
Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz,
qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte
choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras.
Para que, do lado de Cristo morto na cruz, se formasse a Igreja e se cumprisse a
Escritura que diz: Olharão para aquele que transpassaram (Jo 19,37), a divina
Providência permitiu que um dos soldados lhe abrisse com a lança o sagrado lado, de
onde jorraram sangue e água. Este é o preço da nossa salvação. Saído daquela fonte
divina, isto é, no íntimo do seu Coração, iria dar aos sacramentos da Igreja o poder de
conferir a vida da graça, tornando-separa os que já vivem em Cristo bebida da fonte
viva que jorra para a vida eterna (Jo 4,14).
Levanta-te, pois, tu que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho na borda
do rochedo (Jr 48,28), e aí, como o pássaro que encontrou sua morada (cf. Sl 83,4),
não cesses de estar vigilante; aí esconde como a andorinha os filhos nascidos do casto
amor; aí aproxima teus lábios para beber a água das fontes do Salvador (cf. Is 12,3).
Pois esta é a fonte que brota no meio do paraíso e, dividida em quatro rios (cf. Gn
2,10), se derrama nos corações dos fiéis para irrigar e fecundar a terra inteira.
Acorre com vivo desejo a esta fonte de vida e de luz, quem quer que sejas, ó alma
consagrada a Deus, e exclama com todas as forças do teu coração:“Ó inefável beleza do
Deus altíssimo e puríssimo esplendor da luz eterna, vida que vivifica toda vida, luz que
ilumina toda luz e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a
primeira aurora resplandecem diante do trono da vossa divindade.
Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial daquela fonte oculta aos olhos de
todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida,
pureza sem mancha!”
De ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus (Sl 45,5), para que entre
vozes de júbilo e contentamento (cf. Sl 41,5) possamos cantar hinos de louvor ao vosso
nome, sabendo por experiência que em vós está a fonte da vida, e em vossa luz
ontemplamos a luz (Sl 35,10). "

Solenidade do nascimento de São João Batista
O Ícone da santíssima Trindade
Ícones de pentecostes

domingo, 26 de junho de 2011

A celebração dos 60 anos de ordenação de Bento XVI (2ª parte)

Nesta segunda postagem da série sobre os 60 anos de ordenação do Papa Bento XVI, cobriremos o período da sua Sagração Episcopal (ordenação como bispo), no ano de 1977, até sua eleição como Sumo pontífice, no ano de 2005.
Sua caminhada como bispo começou como arcebispo de Munique, na Alemanha, e já no ano de 1978 recebeu o barrete cardinalício das mãos do Papa Paulo VI. Neste ano participou de dois conclaves – reunião dos cardeais para eleger um papa – o primeiro em setembro, para eleger João Paulo I, que morreu um mês depois; e em outubro participou do segundo, no qual foi eleito João Paulo II.
No ano de 1981 houve mais uma grande mudança na vida do então cardial Ratzinger: ele foi chamado a Roma pelo Papa João Paulo II para assumir a Congregação para a Doutrina da Fé, função que exerceu até a morte de João Paulo II, tornando- se o celebro do longo pontificado do beato João Paulo II. Levou à frente o principal documento do pontificado que foi o novo Catecismo da Igreja Católica (1992). Este à frente também da importante declaração “Dominus Iesus”, sobre a universalidade da salvação na pessoa de Jesus – só ele é o salvador da humanidade – e da posição única da Igreja Católica como igreja deixada por Cristo.
Durante os anos à frente da congregação, teve por várias vezes defender a Fé da igreja de várias tentativas, principalmente por parte de teólogos, de desvios doutrinários. Um dos principais desvios combatidos foi a Teologia da Libertação, com sua fundamentação marxista que tinha no teólogo Leonardo Boff um dos seus maiores defensores.
Outro ponto marcante da pessoa de Bento XVI, além da sua altíssima estatura como teólogo, é sua grande contribuição para um movimento de renovação litúrgica que hoje acontece na Igreja, que, devido a sua forte influência, já é chamado por muitos como “movimento litúrgico beneditiniano” (referente ao Papa Bento XVI) ou reforma da reforma.
Esta renovação litúrgica teve inicio de forma mais forte com o lançamento do seu livro “Introdução ao espírito da liturgia” quando ele ainda era apenas um teólogo. Este livro lança as bases para uma liturgia centrada em Deus, marcada por uma forte dimensão de sacralidade e uma forte revalorização dos símbolos e da solenidade nas celebrações, especialmente uma maior ênfase na dimensão sacrifical na celebração das missas.
Com sua eleição ao Papado, este movimento litúrgico tomou uma força ainda maior. Um dos sinais mais visíveis deste movimento é a maior presença do latim nas celebrações, uma obediência maior ao rito da liturgia, o retorno do uso das casulas pelos sacerdotes e a presença do crucifixo no centro do altar. Tudo isso sinaliza que o celebrante está renovando no altar o sacrifício de Cristo e vários outros sinais que demonstram a grandeza e a beleza da liturgia.
Rezemos Pelo Papa Bento XVI e pelas vocações sacerdotais como forma de agradecimento a este grande homem de Deus.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Procissão de Corpus Christi

Em todo o mundo, Corpus Christi é marcado pela procissão eucarística solene que segue após a missa. Também a festa, se recorda a celebração da Quinta-Feira Santa, que termina com a procissão eucarística até o altar da reposição. Deve-se notar, contudo, que a procissão de Quinta-feira Santa lembra o êxodo do Senhor no cenaculo para a solidão do Monte das Oliveiras, onde ele foi traído por Judas, e, portanto, tem um aspecto escuro e triste, é a noite que leva à Paixão Sexta-feira Santa. Em vez disso, a procissão eucarística de Corpus Christi é realizada à luz alegre da Ressurreição. Ao portar Cristo Sacramentado pelas cidades e aldeias, campos e lagos, a Igreja age "em obediência ao convite de Jesus para" proclamar de cima dos telhados "que ele nos contou em segredo (cf. Mt 10:27) . O dom da Eucaristia, os Apóstolos receberam do Senhor na intimidade da Última Ceia, mas era destinado a todos, a todo o mundo ".
Na solene celebração de Corpus Christi, em muitas paróquias e comunidades católicas, se expressa a alegria da fé, na qual Bento XVI, como teólogo e como papa, muitas vezes refletiu: a força com que a verdade da fé cristã se faz, deve ser a maneira de alegria com a qual se manifesta. Esta alegria é uma alegria pascal, enraizada de fato em Cristo, ressuscitado dentre os mortos. A Igreja tem necessidade de aproveitar todo o esplendor da beleza, de expressar esta alegria suprema.
Não devemos perder a coragem de insistir sobre a prioridade do culto divino, ultrapassando assim uma restrita interpretação moralista e legalista do cristianismo. Bento XVI dá o exemplo, porque é profundamente convencido de que "a lei e a moral não caminham juntos se não estiverem ancoradas no centro litúrgico e não se aspiram". A adoração, que se expressa de modo particular na Missa e da Procissão de Corpus Christi, é constitutiva da relação do homem com Deus e da direta existência humana no mundo.

(tradução dos Estudos do Oficio das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontifice) Realizada pelo blog salvem Liturgia



Original completo do texto em: http://www.vatican.va/news_services/liturgy/details/ns_lit_doc_20100608_sac-corpus-domini_it.html


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terça-feira, 21 de junho de 2011

As origens da festa de Corpus Christi

As origens remotas da festa de Corpus Christi está localizado no desenvolvimento do culto da Eucaristia, na Idade Média. As disputas doutrinárias entre Pascasio Radbertus († 865) e Ratramno de Corbie († 868), e especialmente entre Berengário de Tours († 1088) e Lanfranco de Pavia († 1089), levaram a um esclarecimento da doutrina sobre a Presença Real de Cristo no Sacramento e, portanto, um culto sincero e generalizado da Eucaristia.
No século XIII, manifesta-se um movimento mais amplo de devoção eucarística entre as pessoas e também entre os teólogos, com um forte contributo da nova ordem franciscana. O IV Concílio de Latrão (1215), afirmando a doutrina da Igreja com a fórmula da transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, levou ao desenvolvimento do culto eucarístico. O próprio Conselho prescrita a obrigação da comunhão pascal anual da Eucaristia e da habitação em um local seguro [3]. E na liturgia disseminar a prática de elevar a hóstia e o cálice durante a Missa para os fiéis o desejo de ver e de adorar as espécies consagradas.
A solene celebração de Corpus Christi, tal como a conhecemos hoje, é devido à inspiração da religiosa flamenga Santa Juliana de Cornillon (1191-1258). A festa, fundada na diocese de Liège, na Bélgica actual, em 1246 e espalhou-se rapidamente, graças aos esforços do flamengo James Pantaleone de Troyes, mais tarde eleito Papa Urbano IV (1261-1264). Ele incluiu a festa no calendário litúrgico com a Transiturus de hoc mundo, 11 de agosto, 1264 [4]. No entanto, devido a diferentes eventos, era celebrada em toda a Igreja somente após o Concílio de Viena (1311-1312).
De acordo com a vida de Santa Juliana, o próprio Cristo disse que o principal motivo para querer que esta nova festa, era para recordar a instituição do Sacramento do seu Corpo e Sangue de maneira particularmente solene, o que não era possível na Quinta-Feira Santa, quando o liturgia é marcada pela lava-pés e pela Paixão do Senhor. Este festa seria um aumento de fé e de graça para os cristãos que incentivados a participar com mais atenção ao contrario do que ocorre em dias normais, com menos devoção, ou mesmo por negligência.
A festa foi marcada para quinta-feira após a oitava de Pentecostes, a primeira quinta-feira após a Páscoa, de acordo com o calendário litúrgico dell'usus antiquior. A festa é tão claramente ligada à Quinta-Feira Santa, e manifesta o seu caráter essencial: "Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição"

(tradução dos Estudos do Oficio das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontifice) Realizada pelo blog salvem Liturgia


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terça-feira, 14 de junho de 2011

Dedicação da Igreja do Espírito Santo em Natividade-TO

Domingo de Pentecostes, dia 12 de junho, participamos da belíssima Dedicação da Igreja do Espírito Santo, na cidade de Natividade/TO, Diocese de Porto Nacional. A celebração foi presidida por D. Romualdo Matias Kujawski, bispo diocesano de Porto Nacional. Foi um momento muito marcante na vida de todos os presentes, especialmente pela beleza do rito em si, com seus diversos símbolos, que nos fizeram compreender a importância daquele lugar, que deixava de ser unicamente uma bela construção, para ser a casa de Deus no meio dos homens. Outro momento marcante da celebração foi a homilia do senhor Bispo, falando da ação do Espírito Santo na vida cristã e da importância daquele ato da Dedicação da Igreja.
A conclusão desta construção foi realizada por um casal, membro do Movimento da Transfiguração, chamado Natal Augusto e Ana Maria. Durante esses últimos três anos eles tiveram uma grande dedicação a esta obra. Abaixo podemos ver as fotos da construção e do rito da Dedicação.


Rito inicial realizado fora da Igreja

Na porta da Igreja foi realizado o rito de entrega das chaves pelo Sr. Natal Augusto ao Bispo, e este ao pároco, Pe. Pedro


Primeira leitura feita pelo Sr. Natal Augusto

Rito de consagração do Altar

Rito de consagração do Altar

Rito de consagração das doze cruzes das paredes da Igreja

Rito de incensação do Altar

Rito de acendimento das velas das paredes da Igreja, realizado pelo pároco, Pe. Pedro


Capela do Santíssimo Sacramento

Membros do Movimento da Transfiguração presentes no Rito de Dedicação da |Igreja do Espírito Santo, junto com Dom Romualdo

domingo, 8 de maio de 2011

Consagração de um Bispo Ortodoxo

Retirado do blog: blogonicvs
Nesta semana o Patriarca Kirill (ou Cirilo, na versão aportuguesada) de Moscou, Igreja Ortodoxa Russa, consagrou (eles não usam o termo "ordenou") um novo bispo.
Como a Igreja Ortodoxa Russa é sinodal, ou seja, todas as decisões são tomadas pelo Sínodo, a consagração de um novo bispo é também uma decisão tomada em conjunto. Isso explica a presença maciça de bispos e metropolitas durante a consagração da cada um dos novos bispos. Explica também o costume do Patriarca, cabeça do Sínodo, ser sempre ou quase sempre o consagrante principal.
Infelizmente o site da IOR não deixou muitas fotos disponíveis, mas as que coloquei abaixo são interessantes e ofereço um breve comentário.
O bispo eleito. Reparem que ele usa mitra, provavelmente por direito concedido pelo Sínodo. Os arquimandritas, equivalente ao nosso Monsenhor, usam cruz peitoral e, em alguns casos, mitra
Como já escrevi anteriormente, os ortodoxos não usam a mesma lógica nas cores que nós, latinos. O Patriarca está parementado de vermelho, cor litúrgica da páscoa, assim como todos os outros clérigos presentes. O bispo eleito está de branco, mas poderia estar usando amarelo ou outra cor.


Aqui ele já se encontra paramentado como bispo, com seu omophoriom (parecido com o pallium) e com a mitra com uma cruz, característica da mitra episcopal. Os ortodoxos têm dois tipos de mitra, a episcopal encimada por uma cruz e a sacerdotal, sem cruz
Aqui o Patriarca cercado pelo clero e por um diácono

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Paramentos Litúrgicos -6ª parte -A Mitra


Mitra é uma Insígnia Episcopal, usada à cabeça possui a forma de dois pentágonos unidos, munida de duas faixas na parte de trás: as ínfulas. São insígnias pontificais: mitra, báculo, anel, cruz peitoral e pálio
A mitra, segundo o cerimonial dos bispos, é usada “quando está sentado; quando faz a homilia; quando faz as sauda¬ções, as alocuções e os avisos; quando abençoa solenemente o povo; quando executa gestos sacramentais; quando vai nas procissões.”

Este paramento, em seu conjunto, simboliza um capacete de defesa que deve tornar o prelado terrível aos adversários da verdade. Lembra a descida do Espírito Santo sobre as cabeças dos Apóstolos, de quem os Bispos são legítimos sucessores. Por isso, no Rito Romano, apenas aos Bispos, salvo por especial delegação, cabe presidir ao Sacramento do Crisma ou Confirmação.
O fato de a Mitra possuir duas pontas tem um significado todo especial. Moisés, depois de receber as tábuas da Lei no Monte Sinai, desceu com aqueles dois resplendores celestiais que Deus pôs em seu rosto e lhe subiam pela cabeça. Também podem simbolizar os dois Testamentos: o Antigo (parte posterior) e o Novo (parte anterior), que o Bispo deve conhecer perfeitamente para iluminar os fiéis a ele confiados com sua doutrina e resplendor. Elas figuram ainda os dois preceitos, com os quais a Igreja deve governar: o amor de Deus e do próximo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Paramentos Litúrgicos - 4ª parte - A alva

A alva consiste na veste longa e branca utilizada por todos os ministros sagrados, e que representa a nova veste imaculada que todo cristão recebe mediante o batismo. A alva é portanto um símbolo da graça santificante recebida no primeiro sacramento, e é considerada também um símbolo da pureza de coração necessária para o ingresso na graça eterna da contemplação de Deus no céu (cf. Mateus 5:8). Isso é expresso na oração recitada pelo sacerdote enquanto veste a peça, oração que se refere ao Apocalipse 7,14:

Revesti-me, Senhor, com a túnica de pureza, e limpai o meu coração, para que, banhado no Sangue do Cordeiro, mereça gozar das alegrias eternas

domingo, 20 de março de 2011

Paramentos Litúrgicos - 3ª parte - O Cíngulo

O cíngulo conta, na atualidade, de um cordão de cerca de 4 metros com dois pompons nas pontas com franjas. O cíngulo segue a cor do tempo, podendo ser branco, roxo, rosa, preto, vermelho, verde ou de cor festiva (dourado). Entretanto, como os demais paramentos usa-se o branco na falta da cor específica.
O cíngulo possui decoração austera que pode constar de fios dourados ou prateados unidos à cor do cíngulo, sem pedras ou ornamentos maiores.
Usam o cíngulo todos os ministros que portam a alva. Nesses se incluem os acólitos, os leitores instituídos e todos os clérigos. O cíngulo é posto sempre sobre a alva, amarrado a cintura. Se se usa estola, esta fica, tradicionalmente, presa ao cíngulo.

Fotos do Cígulo

O Papa Bento XVI durante a adoração da Santa Cruz na Sexta-feira Santa, uso do cíngulo vermelho, cor da celebração.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Paramentos Litúrgicos - 2ª parte - Estola

Estola

Paramento usado pelos clérigos sobre a alva ou vestes corais. Os diáconos a usam a tiracolo, os sacerdotes ao redor do pescoço e caindo sobre o peito. Simboliza ainda o poder sacerdotal e é necessária para a administração de qualquer sacramento.

Estola diaconal


Estola Presbiteral



terça-feira, 8 de março de 2011

Quarta-feira de Cinzas

                                                                                 
O rito da imposição das Cinzas remonta do século VII, na cidade de Roma, quando o Papa celebrava a Eucaristia assistido por todos os sacerdotes das igrejas de Roma.
Após a oração inicial havia a procissão de uma igreja para outra, enquanto se cantavam as ladainhas dos santos. Concluía-se com a celebração da Eucaristia.
Ao final da Missa, os sacerdotes tomavam o pão eucarístico (fermentum) e o levavam aos fiéis que não tinham podido participar, para indicar a comunhão e a unidade entre todos os membros da Igreja.
A imposição das cinzas era um rito reservado inicialmente aos penitentes públicos, que pediam para ser reconciliados durante a Quaresma. Contudo, por humildade e reconhecendo-se necessitados de reconciliação, o Papa, o clero e depois todos os fiéis quiseram, com o passar do tempo, também receber as cinzas.
A quarta-feira de cinzas é, juntamente com a sexta-feira santa, um dia de jejum e abstinência de carne. A obrigação da abstinência começa aos 14 anos até o fim da vida; já o jejum começa aos 18 anos e vai até os 60 anos.
A quarta-feira de cinza nos introduz no tempo quaresmal. A quaresma é, assim, o maior tempo de preparação do ano litúrgico. Tem a duração de quarenta dias e possui uma ligação direta com os quarenta dias que Jesus passou no deserto para dar início à sua missão. Também nos faz lembrar os quarenta anos que o povo de Deus passou no deserto até chegar à terra prometida.
Na quaresma, somos sempre motivados a fazer algum tipo de penitência como um exercício, que fortalece a nossa vontade para lutarmos contra o pecado e para nos fortalecer no seguimento a Jesus. Durante muito tempo, houve um grande exagero na questão das penitências. Mas hoje corremos o risco de outro exagero: o abandono das práticas de penitência.
A prática da penitência vivida de forma sadia e equilibrada, nos ajuda a ter um maior domínio sobre os nossos instintos e paixões, nos deixando mais livre para as nossas decisões do dia-a-dia. Isto é de suma importância para o nosso crescimento na fé. Por isso, cada um deve se colocar diante de Deus e eleger suas penitências para essa quaresma.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Paramentos Litúrgicos - 1ª parte - A Casula

Com esta postagem damos início a uma série sobre os Paramentos Litúrgicos. Nesta postagem veremos a Casula, por ser a mais visível e por estar sobre os outros. A casula é vestida pela primeira vez na ordenação presbiteral. Logo após a imposição das mãos e oração consecratória, o padre retira a estola diaconal, põe a presbiteral e, sobre ela, a casula. Posteriormente, segue o rito de Ordenação com a unção das mãos.
Na forma extraordinária, o sacerdote recebe a casula amarrada na parte posterior, sendo chamada casula plicada. Ele permanece com ela do momento que a recebe até o final da celebração. Quando o bispo diz sobre ele, a oração: "Recebei o Espírito Santo, aqueles a quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; aqueles a quem não perdoardes, eles serão retidos." Então as casulas são desamarrada.
A casula é, desta forma, o manto sacerdotal usado sobre a estola e alva. Seu significado remete ao caráter sacrificial da missa. Seu uso é obrigatório em todas as missas e proibido fora delas. Hoje são usados dois tipos de casulas: a Romana e a Gotica.

A ROMANA




GOTICA