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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Falece na China Bispo que foi preso por sua fidelidade à Igreja



ROMA, 09 Jan. 13 / 11:53 am (ACI/EWTN Noticias).- Em 16 de dezembro de 2012 faleceu aos 95 anos de idade Dom John Chen Shizhong, Bispo de Yibin, na província de Sichuan (China continental). O Prelado, ordenado sacerdote em 1947, foi preso nos anos cinquenta durante a Revolução Cultural e condenado a trabalhos forçados no campo.
O Bispo recebeu a ordenação episcopal em 1985 e em 1988 passou a ser reitor do seminário regional de Sichuan, cargo que deixou no ano seguinte por razões de saúde, retornando à diocese de Yubin da qual foi Bispo durante mais de vinte anos.
Conforme assinala o Vatican Information Service, de Dom Chen Shizhong, último Bispo idoso da região de Sichuan, recorda-se a obra de formação de sacerdotes e religiosos. Graças a ele, nos anos 80 e 90, as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada retornaram em toda a província.
O Bispo ordenou a mais de 30 presbíteros, garantindo assim a sobrevivência e o desenvolvimento da Igreja em uma região que se caracterizava por um duro maoísmo e em que a dureza e as perseguições da Revolução Cultural marcaram com força à sociedade e à vida da Igreja.
As exéquias de Dom John Chen Shizhong foram feitas no dia 18 de dezembro na Catedral de Yibin e nelas participaram numerosos fiéis, sacerdotes e religiosas da diocese.
O Bispo foi enterrado no cemitério católico próximo ao seminário diocesano.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Bispo chinês que esteve 20 anos na prisão morreu no dia de Maria Auxiliadora

Roma, 04 Jun. 12 / 09:55 am (ACI)
No dia 24 de maio de 2012, festa de Maria Auxiliadora e Jornada Mundial de Oração pela Igreja na China, faleceu Dom Ermenegildo Li Yi, Bispo de Changzhi (Lu'an) na China, aos aos 88 anos de idade, 20 dos quais os passou na prisão injustamente acusado.
Conforme assinala a agência vaticana Fides, o fiel Prelado havia sido hospitalizado com más condições de saúde e não conseguiu recuperar-se.
Dom Li nasceu no dia 13 de novembro de 1923 na cidade de Changzhi. Quando jovem decidiu dedicar-se à vida consagrada e, depois de estudar no seminário menor diocesano, em 1943 ingressou na Ordem dos Frades Menores Franciscanos. Foi ordenado sacerdote em 6 de fevereiro de 1949.
Depois de sua ordenação, ensinou em uma escola secundária em Macao, sendo assistente na paróquia de Wangde, onde se encarregou especialmente dos refugiados que chegavam do norte da China.
Em 1951 ingressou na Universidade de Tianjin como estudante de história e uma vez terminados seus estudos em 1955, encarregou-se do trabalho pastoral na paróquia de São Francisco. Em 1958 foi nomeado pároco de Laojunzhuang, no distrito de Tuanliu.
Fides recorda que ao começo da Revolução Cultural Chinesa em 1966 foi condenado injustamente à prisão, onde permaneceu até 1985, quando pôde retomar seu trabalho pastoral nas igrejas de An Yang e Machang.
Em 28 de janeiro de 1998 foi ordenado Bispo de Changzhi. Atualmente essa diocese conta com mais de 50 mil católicos, 50 sacerdotes, jovens na sua maioria, e 60 igrejas, 28 das quais são novas. Existe ademais um refeitório popular, um lar para anciãos e outro para crianças com necessidades especiais.
Fides afirma que o Prelado, querido por seus fiéis e por quantos o conheceram, permanecerá na memória de todos como um exemplo luminoso de sacerdote para o clero chinês e como um pastor zeloso e vigilante.
Em 2003, durante as celebrações conjuntas de seu 80º aniversário natalício e o 50º aniversário de sua ordenação sacerdotal, escreveu os seguintes versos:
"caminhei durante oitenta anos entre vicissitudes.
Ao entardecer da vida fui nomeado pároco de Lu'an.
Já não tenho ambições no mais profundo do coração,
Salvo o possuir a luz Divina como guia em meu caminho.
Não tenho nada para agradecer a imensa graça recebida,
Um ancião débil, mas cheio de valor,
Com minhas forças, confrontarei humilhações e privações.
Embora não seja digno, farei tudo com coração sincero".

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Mais de 22 mil batismos no Domingo de Páscoa na China



05:28 pm | VATICANO, 2012-04-25 (ACI) .- Mais de 22 mil batismos foram celebrados no Domingo de Páscoa na República Popular da China. 75 por cento dos batizados eram adultos e pertencem a 101 dioceses católicas.
Estatísticas elaboradas pelo "Study Center of Faith" da província a China de Hei Bei indicaram que houve um total de 22.104 os batizados: 4.410 de Hei Bei, 615 mais que o ano passado; e 3.500 de Hong Kong, que conta com 360 mil fiéis, informou a agência vaticana Fides.
Estes dados elaborados sem ter em conta que algumas diocese não celebram todos os batismos durante a Páscoa. Assim por exemplo, em Xangai houve 379 batismos o dia de Páscoa, mas no fim de ano se prevê que a cifra total supere os 1.500.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ordenação ilegítima de um Bispo na China

VATICANO, 04 Jul. 11 / 03:27 pm (ACI/EWTN Noticias)


"O Escritório de Imprensa da Santa Sé emitiu hoje um comunicado no qual rechaça a ordenação episcopal de um sacerdote, pai de um filho, realizada no dia 29 de junho em Leshan, província de Sichuan, na China, sem a autorização do Papa.
O comunicado assinala que “o Revdo. Lei Shiyin, ordenado sem mandato pontifício e, portanto, ilegitimamente, é privado da autoridade de governar a comunidade católica diocesana, e a Santa Sé não o reconhece como o Bispo da Diocese de Leshan. Permanecem firmes os efeitos da sanção em que ele incorreu pela violação da norma do cânon 1382 do Código de Direito Canônico.".
Sobre este evento o texto explica ademais que com a ordenação ilegítima se incorreu em "violação da norma do cânon 1382 do Código de Direito Canônico" que prevê a excomunhão automática.
O referido cânon estabelece que "o Bispo que confere a alguém a consagração episcopal sem mandato pontifício, assim como o que recebe dele a consagração, incorre em excomunhão latae sententiae (automática) reservada à Sé Apostólica".
O comunicado assinala ademais, sem entrar em detalhes que “o mesmo Revdo. Lei Shiyin já havia sido informado há tempos de que não podia ser aceito pela Santa Sé como candidato episcopal, devido a motivos comprovados e muito graves”.
Conforme assinala a agência UCANews, estas razões graves se relacionam ao fato de que Lei Shiyin teve uma relação com uma mulher com quem teve um filho. Ao ser perguntado sobre sua vida moral, indicou que "eu não acredito, não leio, nem difundo rumores. Não temo especulações mas não desejo que especulem sobre mim".
O bispo ilegítimo é atualmente Vice-presidente da Associação Patriótica Católica da China e um deputado católico da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, um órgão assessor de importância para o governo.
O texto da Santa Sé adverte também que “os Bispos consagrantes foram expostos às graves sanções canônicas, prevista pela lei da Igreja (em particular pelo cânon 1382 do Código de Direito Canônico; cf. Declaração do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos de 6 de junho de 2011). Neste cânon se considera que algumas circunstâncias como "o temor grave, a injusta provocação, a ignorância da pena canônica", entre outras, são "atenuantes que excluem a pena latae sententiae".
Seguidamente o comunicado de hoje precisa que "uma ordenação episcopal sem mandato pontifício opõe-se diretamente ao papel espiritual do Sumo Pontífice e danifica a unidade da Igreja".
"A ordenação de Leshan foi um ato unilateral, que semeia divisão e, infelizmente, produz lacerações e tensões na comunidade católica na China", precisa.
"A sobrevivência e o desenvolvimento da Igreja podem acontecer somente na união àquele ao qual, por primeiro, foi confiada a Igreja mesma, e não sem o seu consenso, como, ao contrário, aconteceu em Leshan. Se se deseja que a Igreja na China seja católica, devem-se respeitar a doutrina e a disciplina da Igreja", afirma também o comunicado.
Finalmente o texto afirma que "a ordenação episcopal de Leshan amargurou profundamente o Santo Padre, o Qual deseja fazer chegar aos amados fiéis na China uma palavra de encorajamento e de esperança, convidando-os a rezar e a serem unidos".
A última das ordenações episcopais, anteriores a esta, sem permissão do Papa na China foi realizada em novembro do ano passado.
Além disso o governo, que dirige a chamada Associação Católica Patriótica da China, tinha programado para o dia 9 de junho outra ordenação mais, porém no último momento decidiu pospô-la a uma data ainda não especificada, ao parecer, pela resistência tanto dos fiéis como do sacerdote eleito para ser ordenado Bispo.
Esta ordenação tornou a gerar tensões entre a Santa Sé e a China, que novamente ignora a autoridade do Vaticano.
A China permite o culto católico unicamente à Associação Patriótica Católica da China, subordinada ao Partido Comunista Chinês, e rechaça a autoridade do Vaticano para nomear bispos ou governá-los. A Igreja Católica fiel ao Papa não é completamente clandestina; embora seja constantemente assediada.
As relações diplomáticas entre a China e o Vaticano foram quebradas em 1951, dois anos depois da chegada ao poder dos comunistas que expulsaram os clérigos estrangeiros"

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A Igreja na china

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A vila das vocações

Uma pequena vila na Rota da Seda, habitada por 660 pessoas, dos quais 400 são católicos (cerca de 130 famílias, deu 14 vocações à Igreja nos últimos anos: 7 padres, 1 diácono, 3 religiosas, 2 seminaristas maiores e 1 seminarista menor. A vila é Zan Jia Cun, distrito de Fu Feng na Diocese de Zhou Zhi, província de Shaan Xi.
De acordo com informações recebidas por Fides, toda a diocese é famosa pela sua abundância de vocações, de tal forma que é conhecida como "a diocese das vocações". O pároco da vila comenta: "muitas pessoas perguntam-nos qual é nosso segredo. Para dizer a verdade, não sabemos se há um segredo ou não. Nós vivemos intensamente nossa fé. As famílias da vila rezam juntas diariamente. Missas e encontros de oração nos sábados e domingos são compromissos fixos para todos. Mesmo os fiéis de vilas vizinhas vêm até aqui. Penso que estes pequenos testemunhos diários construíram a base para uma eloquente evangelização e são úteis ao mesmo tempo para a formação de vocações. As crianças são educadas segundo princípios religiosos e de modo simples, do jardim ao ensino médio. As irmãs acompanham sua formação com catecismo e ensino de religião. Aqui não é necessário preparar uma lista para as vigílias de Adoração Eucarística na Semana Santa, ou em outras circunstâncias, porque a Igreja está sempre cheia, 24 horas por dia."
Outras comunidades católicas visitam a vila com frequência a fim de trocar experiências em evangelização e vocações. Vêm, todavia, também alguns não católicos, já que a vila na Rota da Seda é também um modelo de desenvolvimento econômico. "Alguns não católicos perguntam-nos porque somos tão felizes, e nós respondemos que é porque temos fé", conclui o pároco. "Quando os fiéis tiveram oportunidades econômicas, a primeira coisa que pensaram foi em construir, renovar e melhorar a casa de Deus. Nossa igreja é a mais bonita de toda a região. Os padres e irmãs que vivem em cômodos adjacentes à igreja são acordados às 4 da manhã pelos fiéis com a recitação do rosário".
Fonte: Fides
Tradução: OBLATVS

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Bispos na China são obrigados a participar de reunião


       Na china continua o grande sofrimento da Igreja com a perseguissão do governo. Abaixo, mais uma preocupante notícia veiculada pela agência de noticia Zenit:
      "PEQUIM, quarta-feira, 8 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Diversos bispos da China foram levados contra sua vontade a Pequim para participar do 8º Congresso Nacional dos Representantes Católicos.
         A Assembleia Patriótica começou nessa terça-feira, apesar da oposição da Santa Sé e da resistência de muitos católicos do país, informou a agência AsiaNews.
         Durante as reuniões, está prevista a eleição do presidente nacional da Associação Católica Patriótica da China e do presidente do Conselho dos Bispos Chineses, dois organismos inaceitáveis para os católicos, porque tentam edificar uma Igreja independente da autoridade do Papa.
         As autoridades levaram à força à capital alguns prelados que resistiam a participar do encontro.
      Foi o caso do bispo de Hengshui (Hebei), Dom Feng Xinmao, sequestrado por um grupo de uma centena de policiais que tiveram de enfrentar os fiéis e sacerdotes que faziam um escudo para garantir a liberdade do bispo. Os agentes fizeram uso de violência e um fiel ficou ferido.
       Outros bispos de diferentes províncias afirmaram estar enfermos ou se ocultaram para evitar participar da assembleia, como o caso de Dom Li Lianghui, de Cangzhou (Hebei), cuja polícia ameaçou buscar por todo país como “um criminoso perigoso”.
       Alguns prelados aceitaram ir a Pequim mas decidiram não concelebrar as missas na assembleia. Também participam alguns bispos que não opõem resistência e outros já excomungados.
      O congresso se postergou durante quatro anos, pela negativa dos bispos oficiais em participar, em obediência às indicações da Santa Sé.
      A assembleia é o “organismo soberano” da Igreja oficial chinesa, em que os bispos representam só uma minoria, entre outros representantes católicos e do governo.
    Na assembleia, as decisões se tomam através de eleições manipuladas. Antes das reuniões, os participantes receberam indicações sobre o que fazer e votar, da parte do representante do governo, Liu Bainian.
Para maiores informações sobre a situação da igreja da China, clique no link abaixo:

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Bispo consagrado na China ilicitamente


     O governo Chinês, na sua política de querer dominar todas as religiões, consagrou um bispo sem autorização da Santa Sé gerando sérios protestos do Vaticano. A situação da Igreja na China é bastante peculiar, como já postamos anteriormente (clique aqui para entender o histórico deste problema).
       Além disso, obrigou 8 bispos legítimos, ou seja, em comunhão com a Igreja de Roma e com o Papa, a participarem da cerimônia de ordenação. Tudo isso, não obstante os prévios protestos da Santa Sé. Esta é uma postura comum do governo chinês nos últimos anos. O Vaticano tem buscado ter um canal de diálogo, para que os Bispos sejam ordenados de comum acordo entre o governo chinês e a Santa Sé.
     O Código de Direito Canônico se expressa sobre esta situação, dizendo: "o bispo que confere a alguém a consagração episcopal sem mandato pontifício, assim como o que recebe a consagração, incorre em excomunhão latae sententiae, reservada à Sé Apostólica".
       Com este gesto de  rompimento do diálogo do governo chinês, podemos perceber a dura realidade do povo chinês em uma questão básica da vida humana que é a liberdade religiosa.Todo o progresso que encanta o mundo é baseado em um sistema político de opressão.
       Rezemos pela Igreja na China para que ela tenha forças e sabedoria para passar por mais esta situação de sofrimento e perseguição. 

sábado, 23 de outubro de 2010

Igreja da China

     
      Nesta postagem colocamos uma recente entrevista com o cardeal Joseph Zen Ze-kiun, de Hong Kong, feita pela agência de notícia Zenit, onde ele fala da realidade da Igreja da China. Que através deste maior conhecimento da realidade, possamos rezar por esta igreja que sofre e não cairmos na tentação de fechar os nossos olhos para valores fundamentais – como a liberdade – quando vemos a prosperidade econômica.

ZENIT: Qual é o requisito para um verdadeiro desenvolvimento humano na China?

Cardeal Zen: Para que o desenvolvimento seja verdadeiro, deve ser integral e completo. E a Igreja Católica pode ajudar no aspecto espiritual. Infelizmente, há muitas pessoas que pensam no desenvolvimento só no sentido de um progresso econômico e tecnológico. Isso não é suficiente.
Eu creio que, no âmbito espiritual, são muitos, e não só os católicos, os que podem contribuir. Penso que por exemplo no confucionismo, que é um patrmônio muito precioso do povo chinês. Mas certamente somos nós, os católicos e os cristãos em geral, que temos Jesus Cristo como modelo real de perfeição humana.

ZENIT: O cristianismo tem muito êxito na China continental hoje?

Cardeal Zen: A situação é um pouco mais tranquila para as famílias católicas que querem batizar seus filhos. Antes estava proibido. Era necessário ter cumprido os 18 anos. Mas agora é possível batizar os filhos, é algo bom.

A respeito do êxito entre as pessoas, certamente há. Mas não saberia até que ponto. Não há informações detalhadas. Mas sobretudo é entre os estudantes universitários e os intelectuais. Eles entram em contato com a doutrina cristã através da cultura ocidental. E estão muito interessados. Sei que também há intercâmbios acadêmicos entre o Ocidente e a China, um aspecto muito prometedor.

ZENIT: O regime tenta controlar esses êxitos?

Cardeal Zen: É muito curioso que no âmbito acadêmico exista uma liberdade muito maior. Aos sacerdotes não está permitido pregar, enquanto que se permitem os intercâmbios acadêmicos.

ZENIT: Mas um dia o regime perderá o controle sobre esses intelectuais, não?

Cardeal Zen: Na verdade já perdeu.

ZENIT: Talvez seja esta a esperança para o futuro?

Cardeal Zen: Sim. Quando os estudantes chineses vêm a Hong Kong no âmbito de intercâmbios, por exemplo, convidam-me, e eu posso ir com eles sem nenhuma objeção, porque estamos realmente no âmbito acadêmico.

ZENIT: Recentemente o senhor alertou de novo contra o paternalismo da Associação Patriótica. Por quê?

Cardeal Zen: A Associação Patriótica, sobretudo no âmbito nacional, é muito forte. Os bispos não têm nem voz nem voto. Isso, obviamente, deve-se ao fato de que o governo usa a Associação Patriótica para controlar a Igreja.

Liu Bainian, vice-presidente da Associação, representa o governo e mantém a Igreja e os bispos sob seu controle. Depois de tantos anos, foram-lhe dadas grandes vantagens para se assegurar de que as ideias não mudem. No âmbito local, a situação é muito diferente, porque em alguns lugares os poderes do bispo superam os da Associação.

Mas é evidente que a situação não está encaminhada para o bem do país, porque todos sabem que a Igreja na realidade não é livre. O governo chinês não é respeitado e se vê que a liberdade não existe.

Infelizmente, a Associação tem muitos amigos no governo. É difícil que este seja capaz de eliminá-la. Por nossa parte, temos uma necessidade extrema de uma decisão, porque se a Associação for mantida, ninguém dentro nem fora da China acreditará que existe uma verdadeira liberdade religiosa.

ZENIT: Melhorou a situação a respeito da ordenação dos bispos e da cooperação entre China e Vaticano?

Cardeal Zen: Os progressos alcançados neste último período limitam-se ao fato de que não houve ordenações ilegítimas nos últimos meses. Mas é verdadeiramente um bem? Eu duvido, porque o que significa que um bispo seja aceito por ambas as partes, pelo governo chinês e pela Santa Sé?

Existem muitas possibilidades. Uma possibilidade – que é a que nós queríamos – é que o Santo Padre escolha os bispos e que o governo chinês dê o seu consentimento. Isso seria o ideal. Mas é o caso? Não.

Vemos que frequentemente é o governo que elege o bispo. Talvez não seja o melhor, mas a Santa Sé diz: “nessa outra diocese, queremos este bispo, e se vocês aceitarem, nós aceitaremos o outro”. Portanto é uma troca. Às vezes se obtêm mais vantagens, outras vezes menos.

Já outras vezes se fazem concessões, algo muito perigoso. Certamente não é verdade que o governo chinês aceite de bom grado todos os candidatos da Santa Sé.

ZENIT: Quanto se terá de esperar até que a Santa Sé e Pequim estabeleçam relações diplomáticas?

Cardeal Zen: Na realidade todos os comentaristas consideram este fato pouco provável, já que no momento atual Pequim e Taiwan têm melhores relações. Portanto, em certo sentido, Pequim consente a Taipei manter relações diplomáticas com diversos países pequenos, entre eles a Santa Sé.

Se Pequim aceitasse estabelecer relações diplomáticas com o Vaticano, este se veria obrigado a abandonar Taiwan e, portanto, indiretamente, Pequim ofenderia Taiwan. Por isso, ninguém pressiona para acelerar a abertura das relações diplomáticas. Mas esta não é uma questão central. Inclusive na falta de relações diplomáticas, a melhoria e a normalização da situação já é algo bom.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Igreja na China

A Igreja na China tem uma história longa de sofrimento e perseguição, mas, de uma forma mais forte, teve seu início com a revolução comunista de Mao Tse-tung. No ano de 1950, ele instituiu os campos de concentração para fragilizar a oposição à política de partido único, que é a que vigora até os dias de hoje. Hoje, estima-se que existem 1400 campos de concentração em funcionamento, nos quais são colocados os que “não se enquadram” no regime. Entre eles estão os monges tibetanos; bispos, padres e leigos católicos; e cristãos de outras denominações.



A forma que o governo lida com as religiões é a seguinte: para que elas tenham seu funcionamento regularizado pelos órgãos públicos, essa religião deve seguir todas as normas ideológicas do partido comunista e, principalmente, romper com seus relacionamentos internacionais. Isso gera um problema especial com a Igreja Católica, que, para ser aceita, deveria romper com o Papa e com o resto da Igreja espalhada pelo resto do mundo. A consequência deste ato foi profundamente dolorosa, porque, uma parte da Igreja – para sobreviver – aceitou essa imposição, sendo denominada Igreja patriota. Contudo, outra parte dela preferiu ficar fiel ao Santo Padre, sofrendo com isso perseguições de toda sorte. Bispos e padres foram enviados para os campos de concentração, onde muitos morreram.


O Vaticano, nestes últimos anos, travou, com grande empenho, uma negociação diplomática com as autoridades chinesas para que a Igreja tenha o mínimo de liberdade necessária para sobreviver na China. A segunda linha de trabalho do Vaticano é no campo interno, para gerar um processo de reconciliação e unidade entre a Igreja patriótica e a Igreja fiel a Roma. O grande desejo e empenho de Bento XVI é que a Igreja católica da China seja uma só e tenha liberdade para cumprir sua missão.


Por isso, neste Advento, devemos nos unir numa oração cheia de esperança, para que o Espírito Santo ilumine o Papa Bento XVI para que tenha a sabedoria e coragem necessárias para enfrentar este grande desafio. E que este mesmo Espírito ilumine as autoridades chinesas, para que se abram a um diálogo sincero, e este diálogo possa prosperar e assim tenhamos as portas da China abertas para uma grande missão evangelizadora. Que a Igreja possa cumprir o mandato de Jesus ressuscitado, que enviou os seus discípulos, dizendo: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 19-20).