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sábado, 5 de agosto de 2017

Explicação do ícone da Transfiguração







O ícone da Transfiguração de Jesus  (Mc 9,2-8) 

Nesse texto de hoje faremos uma experiência de leitura diferente: será uma Lectio divina a partir do ícone da Transfiguração (acima). Na igreja oriental os ícones são compreendidos como palavra de Deus. Por isso, para eles, o ícone não é pintado, mas sim escrito por um iconógrafo, que, após passar meses meditando um texto bíblico, acompanhado de jejum e oração, escreve-o (pinta) sobre a madeira.
Este ícone da Transfiguração em anexo é russo. Foi adquirido em Belém, na Terra Santa. Ele é de uma beleza impressionante! Por isso, faremos a leitura do texto junto com a contemplação do ícone, versículo por versículo.
 “Seis dias depois, Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João e os fez subir a um lugar retirado, no alto de uma montanha, a sós. Lá, ele foi transfigurado diante deles.” Esse termo “seis dias depois” faz ligação com a profissão de Pedro em Cesaréia de Felipe, onde ele proclama em nome de todos os discípulos: “tu és o Cristo” (Mc 8,29). Esta ligação deseja exprimir que a transfiguração é o um momento de revelação da identidade de Jesus.
Os três discípulos que presenciam a Transfiguração – Pedro, Tiago e João – são os mesmos que contemplaram dois outros episódios: a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 21-43) e o momento da agonia no Monte das Oliveiras (Mc 14, 32-42). Podemos dizer que esses três são os “escolhidos dos escolhidos” para serem testemunhas desses eventos únicos.
Passemos para o ícone e vamos localizar cada um dos três discípulos. O primeiro do qual falaremos será São Tiago. Ele é o discípulo que está no centro e usa um manto vermelho que simboliza a glória do martírio. Ele foi o primeiro dos doze a ser martirizado, no ano 42 d.C. (cf. At 12,2). O segundo apóstolo, que está à direita de São Tiago, é São Pedro: ele tem o braço estendido como quem fala, porque é ele que diz: “é bom, Senhor, estarmos aqui, façamos três tendas; uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.” Ele também tem um manto vermelho, que simboliza o martírio. Segundo a tradição, ele foi martirizado no ano 64 d.C., em Roma.
O terceiro apóstolo é São João. Ele é o que não tem o manto vermelho. Foi o único entre os doze que não sofreu o martírio. Sua posição no ícone é peculiar, porque está olhando para Jesus transfigurado. É uma atitude profundamente contemplativa. Na representação dos animais do apocalipse – que estão ao redor do trono de Deus (Ap 4, 6-11) e que, ao longo do tempo, foram identificados como os evangelistas – João é a águia. Para os antigos, a águia era o único animal que podia olhar o sol diretamente. Assim, João foi reconhecido como o grande místico, que podia olhar diretamente para Jesus transfigurado: Aquele que é mais luminoso do que o sol e sempre foi aclamado como Sol da Justiça. É por isso que João pode dizer com propriedade na sua carta: “...Deus é luz e nele não há treva alguma” (I Jo 1, 1-5).
A alta montanha, desde os primórdios do cristianismo, foi identificada como sendo o Monte Tabor: uma elevação de 588 metros, na planície da Galileia. De lá temos uma belíssima visão de toda a região. Nela hoje está construída a Basílica da Transfiguração que, seguindo o desejo de São Pedro, foi edificada como se fossem três tendas: a nave central é a de Jesus e as duas capelas laterais são dedicadas a Moisés e Elias, formando assim um conjunto de três tendas.
 “Sua roupa ficou muito brilhante, tão branca como nenhuma lavadeira na terra conseguiria torná-la assim.” Este versículo, juntamente com a última frase do versículo passado que não comentamos – “Lá, ele foi transfigurado diante deles” – são a imagem central do ícone. Jesus, por alguns instantes, revela sua identidade de Filho de Deus – que é sua identidade mais profunda – e os discípulos percebem esta identidade num mistério de luz. Os discípulos vêem o que Jesus afirmou no evangelho de João: “eu sou a luz do mundo”. (Jo 8,12).
Ao contemplarmos o ícone, percebemos que tudo nele emana luz. Não é uma luz natural como a do sol, ou artificial como a de uma lâmpada. É a luz da glória de Deus. Na Transfiguração, uma janela do céu, da eternidade se abre e nós podemos entrever a luz da glória eterna.
Centremos-nos em dois tipos de raios de luz que, no ícone, emanam de Jesus: primeiro, o raio circular verde: é o circulo da verdade, que ilumina o intelecto humano revelando-o a verdade. O próprio Jesus também diz: “eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). E também diz: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). Este é o caminho contemplativo da verdade, que ilumina a inteligência humana e a diviniza.
O segundo tipo de raio são representados pelos três raios de cor avermelhada que descem em direção aos discípulos. Esses raios têm a cor do coração humano, e infundem o amor divino no coração dos discípulos. Este é o caminho contemplativo do coração, que diviniza o coração humano. Podemos até ver um simbolismo complementar a este, onde esses três raios são as três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.
Como percebemos neste ícone, podemos mergulhar no profundo mistério de Deus revelado em Jesus através dos dois grandes caminhos contemplativos, que não se contradizem e sim se complementam: o caminho da verdade e o caminho do amor. A complementaridade se dá porque o amor protege a inteligência humana da ideologia, que é uma teoria fora da realidade. E a verdade protege o coração humano do sentimentalismo, que é uma deformação do amor.
 “Apareceram-lhes Elias e Moisés, conversando com Jesus.” Neste momento em que a janela do céu se abre, dois personagens centrais do Antigo Testamento aparecem para confirmar e testemunhar Jesus como a plenitude da revelação. No ícone, vamos perceber que, apesar da Transfiguração acontecer no Monte Tabor, Moisés e Elias são retratados em outros montes. Esta é uma forma de leitura espiritual do texto sagrado: para nos mostrar que cada um desses personagens teve revelações de Deus num monte, porém distinto do monte Tabor.
Vejamos Moisés. No ícone, ele é o que segura um livro. Este representa a Lei que Moisés recebeu no Monte Sinai (Ex 34). Moisés está com a cabeça inclinada e apontando o livro da Lei para Jesus, mostrando que, em Jesus, a Lei é realizada e plenificada. Do outro lado está o profeta Elias, que também fez uma peregrinação ao Monte Sinai (Horeb) e lá tem um profundo encontro com Deus que vai confirmar sua vocação como profeta (cf. I Rs 19). Ele está com a mão apontada para Jesus e com a cabeça inclinada, mostrando que, em Jesus, todas as profecias se realizaram.
Tudo isso está envolvido num diálogo profundo de Moisés e Elias com Jesus. No evangelho de Lucas é revelado o conteúdo deste diálogo: “falavam do seu êxodo que se consumaria em Jerusalém” (Lc 9,31). Em outras palavras, conversavam sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus:
“Pedro então tomou a palavra e disse a Jesus: ‘Rabi, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias. Na realidade, não sabia o que devia falar, pois eles estavam tomados de medo.” Os discípulos retratados no ícone caídos por terra revelam o profundo contraste experimentado por eles diante de tão grande revelação: num primeiro momento o temor, que é próprio do contato com o mundo sobrenatural. Como vemos, na bíblia, acontecer com todos aqueles que tiveram alguma forma de contato com Deus; em seguida, têm uma experiência de felicidade, de paz e de alegria como uma forma de participação da eternidade. Isso faz com que Pedro diga: “é bom Senhor, estarmos aqui”.
O pedido de Pedro para construir três tendas pode ser compreendido de uma forma mais profunda a partir da promessa de Deus de que armaria sua tenda no meio do seu povo nos tempos messiânicos. Assim, Pedro, que já tinha reconhecido Jesus como o Cristo, intui que os tempos messiânicos tinham chegado (cf. livro “Jesus de Nazaré” 1ª parte – Bento XVI). Pedro, assim, entendeu que, no momento da Transfiguração aconteceu o que é dito na tradução literal do prólogo do evangelho de João: “o verbo se fez carne e armou sua tenda no meio de nós e nós vimos sua glória” (Jo 1,14)
Desceu, então, uma nuvem, cobrindo-os com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai-o!” Este é o clímax do desenrolar da cena. É a palavra do Pai que dá sentido a tudo o que está acontecendo, quando ele diz: “este é meu filho muito amado. Escutai-o!” Todos os fatos, palavras e acontecimentos servem como uma moldura para que a palavra do Pai possa ser entendida e acolhida com a força que lhe é devida. Esta é a mensagem central: Jesus é a plenitude da revelação; o filho muito amado do Pai; é nele, por ele e para ele que existem todas as coisas. Só podemos conhecer Jesus profundamente quando contemplamos sua relação eterna de amor com o Pai. E isto acontece quando escutamos as palavras de Jesus reconhecendo que ele é Deus, que se fez homem e armou sua tenda no meio de nós.

No Movimento da Transfiguração somos chamados a fazer essa experiência da transfiguração de Jesus todas as vezes que, através da oração, da leitura da Palavra de Deus e da liturgia, buscamos a face de Deus. Nós somos chamados a viver uma oração profunda, intensa e contemplativa que transfigure a nossa vida. Que, através desta oração, a luz de Cristo que recebemos na nossa mente e nosso coração possa iluminar nossos pensamentos e atos e, assim, transbordar para todos aqueles que nos cercam.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Festa da Transfiguração no Oriente – 2ª parte

      O Movimento da Transfiguração tem na sua identidade uma profunda influência da tradição da Igreja Oriental. Isso é percebido pela dimensão iconográfica, na maneira de perceber a liturgia e no processo pedagógico da conversão, seguindo o caminho da transfiguração do coração.
      Para melhor mergulhar na compreensão da Transfiguração do Senhor, segue abaixo um comentário de um sacerdote da Igreja Oriental sobre a Transfiguração:
       “Os evangelistas sinóticos – Mateus, Marcos, Lucas – narram o evento da Transfiguração de modo quase idêntico: Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João – os dois últimos são irmãos -, mais vezes companheiros seus privilegiados «porque eram mais perfeitos do que os outros», afirma S. João Crisóstomo; Pedro, porque amava a Jesus mais do que os outros, João porque era amado por Jesus mais do que os outros, e Tiago porque se unira na resposta do irmão: «Sim, podemos beber do teu cálice» (cf. Mt 20,22).
      Jesus os conduz à parte a uma “alta montanha”, lugar por excelência das manifestações divinas; dirá a Tradição: o monte Tabor. Ali ele aparece radiante de uma luz esplêndida que emana “tanto de seu rosto brilhante como o sol” como de suas vestes – obra do homem, da cultura humana – e se irradia pela natureza circunstante, como o mostram os ícones.
      Moisés – a lei – e Elias – os profetas – aparecem e conversam com Jesus. A primeira aliança aponta para a última. Lucas precisa que a conversa tem como tema o êxodo, a partida do Senhor. Pedro, em êxtase, sugere construir três tendas, na esperança de poder permanecer longamente naquele estado. Mas tudo está envolvido pela “nuvem luminosa” do Espírito, da qual ressoa no coração dos três discípulos agitados, prostrados com a face por terra, a voz do Pai: “Este é o meu Filho, o amado, escutai-o!”. Depois, tudo desaparece, e permanece Jesus, sozinho, que ordena aos três guardarem segredo a respeito do que tinham visto, “até que o Filho do homem ressuscitasse dos mortos”.
      A partir do fim das perseguições romanas contra os cristãos, no século IV, foram edificadas diversas igrejas no Tabor. Sua dedicação parece estar na origem da festa que, a partir do VI século, difundiu-se por todo o Oriente Médio. No calendário ocidental foi estavelmente introduzida em 1457, pelo papa Calixto III, como reconhecimento pela recente vitória contra os turcos. Os evangelhos não permitem fixar, no ritmo anual, uma data para a Transfiguração. Com a intuição cósmica que o caracteriza, o Oriente fixou a data de 6 de agosto, grande meio-dia do ano, apogeu da luz do verão. Nesse dia se abençoam os frutos da estação; muitas vezes, nos países da bacia do Mediterrâneo, é a uva o fruto por excelência abençoado. O Ocidente, menos sensível ao alcance espiritual do acontecimento, mesmo conservando a festa da Transfiguração em 6 de agosto, preferiu acrescentar uma segunda celebração antes da Páscoa, no segundo Domingo da Quaresma, de tal modo seguindo mais de perto a cronologia da vida de Jesus.
      No Oriente, a festa põe o acento na divindade de Cristo e no caráter trinitário de seu esplendor. “Conversando com Cristo, Moisés e Elias revelam que ele é o Senhor dos vivos e dos mortos, o Deus que tinha falado na lei e nos profetas; e a voz do Pai, que sai da nuvem luminosa, “dá-lhe testemunho”, recita a liturgia bizantina.
      Contudo, a Transfiguração não é um triunfo terreno, que Jesus sempre rejeitou em sua vida – e aqui está o erro de leitura de Calixto III; nem mesmo é uma emoção espiritual para degustar – eis o erro de Pedro. É um lampejo, um esplendor daquele Reino que é o próprio Cristo, uma luz que é também a da Páscoa, do Pentecostes, da parusia quando, com o retorno glorioso de Cristo, o mundo inteiro será transfigurado.
      Moisés e Elias, já o dissemos, falam com Jesus a respeito de sua partida, de sua paixão: apenas esta última fará resplandecer a luz, não no cume do Tabor, a montanha que simbolicamente representa as teofanias e os êxtases, mas no próprio coração dos sofrimentos dos homens, de seu inferno e, enfim, de sua morte. A liturgia ainda nos ajuda a entender: “Ouvi – diz o Pai – aquele que através da cruz esvaziou o inferno e dá aos mortos a vida sem fim”.
      Para a teologia ortodoxa, a luz da Transfiguração é a energia divina (de acordo com o vocabulário precisado no séc. XIV por Gregório Palamas), isto é, o resplandecer de Deus: o mesmo Deus que, enquanto permanece inacessível na sua “supra-essência”, se torna participável aos homens por uma loucura de amor. Daqui a compreensão da importância desta festa para a tradição mística e iconográfica.
      O resplandecer, o esplendor divino é tal que joga por terra, na montanha, os apóstolos. Mesmo assim, no Tabor ele permanece uma luz externa ao homem. Ora, ela nos é doada – como centelha imperceptível ou rio de fogo – no pão e no vinho eucarísticos. Então nossos olhos se abrem e nós compreendemos que o mundo inteiro está impregnado dessa luz: todas as religiões, todas as intuições da arte e do amor o sabem, mas foi necessário que viesse o Cristo e que nele acontecesse aquela imensa metamorfose – assim os gregos denominam a Transfiguração – para que enfim se revelasse que, à nascente dos veios de fogo, de paz e de beleza presentes na história, existe, vencedor da noite e da morte, um Rosto.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Festa da Transfiguração do Senhor - A Igreja Oriental 1ª parte

No dia 6 de agosto a Igreja celebra a Festa da Transfiguração do Senhor. Esta é também a Festa do Movimento da Transfiguração e, por isso, nesses dias que antecedem esta grande celebração, teremos no blog algumas postagens que nos ajudarão a mergulhar neste grande mistério onde Jesus revelou sua identidade de Filho de Deus a Pedro, Tiago e João, no Monte Tabor (cf. Mt 17, 1-9; Mc 9, 2-10 e Lc 9, 28-36).
A Festa da Transfiguração no oriente bizantino, também é celebrada no dia 6 de agosto. É uma das doze festas da liturgia bizantina. Vejamos abaixo um comentário do ícone da Transfiguração, como é visto na tradição oriental:


“O ícone da Transfiguração fica exposto, no meio da igreja, à veneração dos fiéis, desde a tarde do dia 5 de agosto até 13 do mesmo mês. O complexo pictórico resume bem o conjunto da festa conforme o esquema que nos foi transmitido por séculos. Ao centro domina a figura do Cristo em vestes brancas. Raios de luz se desprendem da sua pessoa e se espalham em todas as direções rumo à extremidade de um círculo, símbolo da verdade.

Ele está no alto de um monte e aos lados, sobre dois picos rochosos, admiramos as figuras de Moisés e Elias, ligeiramente inclinados para o Salvador, com o qual conversam, representantes respectivamente da Lei e dos Profetas, que têm na pessoa do Salvador o seu cumprimento. Embaixo, a cena é mais movimentada e apresenta figuras do Novo Testamento: os três discípulos escolhidos para subir ao monte estão em atitude de grande espanto. À direita (de quem olha), Pedro, de joelhos, com uma das mãos se apóia no chão e com a outra aponta para o divino fulgor que observa de esguelha. Tiago e João estão caídos no chão e cobrem os olhos ofuscados pela luminosa teofania. A fraqueza humana perante o evento excepcional, por contraste, ressalta a paz transcendente e a divina segurança de Jesus, centro de tudo.
A tradição oriental reconhece na Transfiguração uma nova manifestação trinitária após a ocorrida no batismo de Jesus, porque no Tabor ‘a voz do Pai dá testemunho, o Espírito ilumina e o Filho recebe e manifesta a palavra e a luz’ ”.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Festa da Transfiguração do Senhor Jesus - A Igreja Oriental 1ª parte


No dia 6 de agosto a Igreja celebra a Festa da Transfiguração do Senhor. Esta é também a Festa do Movimento da Transfiguração e, por isso, nestes dias que antecedem está grande celebração, teremos no blog várias postagens que nos ajudarão a mergulhar neste grande mistério onde Jesus revelou sua identidade de Filho de Deus a Pedro, Tiago e João, no Monte Tabor (cf. Mt 17, 1-9; Mc 9, 2-10 e Lc 9, 28-36).
A Festa da Transfiguração no oriente bizantino, também é celebrada no dia 6 de agosto. É uma das doze festas da liturgia bizantina.
. Abaixo, encontram-se hinos que são cantados na Igreja Oriental, na Festa da Transfiguração do Senhor. Que possamos assim, ao rezar com esses hinos, sermos mergulhados nesta grande riqueza litúrgica, e experimentarmos o poder da transfiguração nas nossas vidas.

«Vinde, ó povos, segui-me;
subamos à montanha santa, rumo ao céu.
Fixemos espiritualmente a nossa morada
na cidade do Deus vivente
e contemplemos a divindade imaterial do Pai e do Espírito
que, em seu Filho único, resplandece.

Ó Cristo tu me atraíste
e transformaste com o teu divino amor;
queima, pois, os meus pecados
na chama do fogo imaterial
e enche-me de tuas delícias,
para que, exultante de alegria,
possa glorificar, ó Deus de bondade,
as tuas duas vindas».

Tu te transfiguraste, Cristo, no monte;
tua glória contemplaram os discípulos,
a fim de que, na cruz cravado ao ver-te,
pudessem compreender
que a Paixão era em ti voluntária
e ao mundo proclamassem
que tu és de verdade o esplendor do Pai.


Erguei-vos, preguiçosos,
não queirais à terra viver sempre apegados;
o vôo erguei até a altura,
rasteiros pensamentos de pecado
que minha alma amarrais ao terreno.

Corramos com Tiago, João e Pedro
e ao Tabor acorramos com presteza
para com eles ver de Deus a glória
e a voz escutar ouvida por eles
e na qual o Pai eterno confessaram»

Festa da Transfiguração do Senhor - A Igreja Oriental 2ª parte

Como mais essa postagem, continuamos nossa preparação para a grande Festa da Transfiguração do Senhor. Abaixo, encontram-se hinos que são cantados na Igreja Oriental, na Festa da Transfiguração do Senhor. Que possamos assim, ao rezar com esses hinos, sermos mergulhados nesta grande riqueza litúrgica, e experimentarmos o poder da transfiguração nas nossas vidas.



«Vinde, ó povos, segui-me;
subamos à montanha santa, rumo ao céu.
Fixemos espiritualmente a nossa morada
na cidade do Deus vivente
e contemplemos a divindade imaterial do Pai e do Espírito
que, em seu Filho único, resplandece.

Ó Cristo tu me atraíste
e transformaste com o teu divino amor;
queima, pois, os meus pecados
na chama do fogo imaterial
e enche-me de tuas delícias,
para que, exultante de alegria,
possa glorificar, ó Deus de bondade,
as tuas duas vindas».

Tu te transfiguraste, Cristo, no monte;
tua glória contemplaram os discípulos,
a fim de que, na cruz cravado ao ver-te,
pudessem compreender
que a Paixão era em ti voluntária
e ao mundo proclamassem
que tu és de verdade o esplendor do Pai.


II
Erguei-vos, preguiçosos,
não queirais à terra viver sempre apegados;
o vôo erguei até a altura,
rasteiros pensamentos de pecado
que minha alma amarrais ao terreno.

Corramos com Tiago, João e Pedro
e ao Tabor acorramos com presteza
para com eles ver de Deus a glória
e a voz escutar ouvida por eles
e na qual o Pai eterno confessaram»

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Festa da Transfiguração do Senhor Jesus - O Monte Tabor

Nesta semana dedicada a Festa da Transfiguração do Senhor, estamos postando temas relacionados com a Transfiguração. O monte Tabor, segundo arraigada tradição, foi o monte no qual Jesus se transfigurou diante dos apóstolos: Pedro, Tiago e João.
O monte Tabor tem 588 metros de altitude e é localizado na região da Galileia, a 17 km a leste do mar da Galileia. É um local de uma beleza impressionante, especialmente a vista lá de cima, onde podemos contemplar toda a planície da Galileia.
Em maio de 2011 o Movimento da Transfiguração realizou uma Peregrinação a Terra Santa. Tivemos a oportunidade de subir ao monte Tabor. É realmente um local que não é necessário fazer esforço para ter um encontro com Deus.




Festa da Transfiguração do Senhor Jesus - A Basílica da Transfiguração


A Basílica da Transfiguração está em cima do monte Tabor. Foi construída em 1924 sobre as ruínas de uma antiga igreja bizantina, para fazer memória do local da transfiguração de Jesus. Foi edificada como se fossem três tendas: a nave central é a de Jesus e as duas capelas laterais são dedicadas a Moisés e Elias, formando assim um conjunto de três tendas. Internamente ela é dividida em Basílica inferior e Basílica superior. A Basílica inferior é utilizada para pequenos grupos e a Basílica superior é usada para grandes celebrações.
Em maio de 2011, quando estivemos lá, celebramos na Basílica inferior, local muito aconchegante para celebrar com um pequeno grupo.
Veja abaixo algumas fotos:







quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A Festa da Transfiguração do Senhor Jesus - A Virgem da Ternura



O Movimento da Transfiguração tem a sua relação mariana especialmente a partir da forma como Maria é revelada no evangelho de João. O ícone de Maria Mãe da Ternura (acima) revela Maria com um olhar sofrido, e, ao invés dela estar abraçando o Menino Jesus, é Jesus que a abraça para consolá-la. Neste ícone percebemos que Maria acompanha Jesus no seu coração, desde a sua concepção até a sua ressurreição. Ela, assim, está unida a ele em todo o tempo e com todo o seu coração. Podemos dizer que ela vivenciou a mística mais profunda e intensa que uma criatura pode ter na sua vida com Deus. Desta forma, ela foi divinizada; ela é a criatura transfigurada por excelência.
Maria, a Mãe da Ternura, é, para nós do Movimento, tão profundamente ligada à pessoa de Jesus, que não poderíamos dizer que ela é apenas um aspecto da nossa espiritualidade, ou uma devoção simplesmente. Ela é, na verdade, parte integrante e essencial na busca da nossa comunhão com Deus, na pessoa de Jesus. Por desígnio de Deus, não podemos nos unir plenamente a Jesus sem aquela que diz: “eles não têm mais vinho”. E também diz: “fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2, 3.5).
O papel de Maria, em todo o quarto evangelho, é marcado por dois pontos fundamentais: o primeiro nas Bodas de Caná, que é o primeiro dos sinais de Jesus; e o segundo, quando Jesus chegou na sua “hora”. A “hora”, no evangelho de João, é a cruz e a ressurreição de Jesus. E nessa “hora” Maria está aos pés da cruz: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, eis o teu filho!”Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!”A partir daquela hora, o discípulo a acolheu na sua casa” (Jo 19,25-27)
A Virgem Maria é muito mais do que uma mulher atenta às necessidades, e por isso pede a intervenção de Jesus. É aquela que o introduz na sua revelação como Messias, esposo do seu povo (Bodas de Caná). Ela também está presente na hora da consumação da grande obra de revelação de Jesus, no alto da cruz. Assim, ela está no início e no final. No evangelho de João, isso significa que ela está em todos os momentos, e é de fundamental importância que o discípulo amado a receba na sua casa. O discípulo amado, como vemos no final do evangelho, é aquele que, entre os discípulos, tem a compreensão mais profunda do mistério de Jesus. Com isso, concluímos que existe algo no conhecimento de Jesus que só é revelado quando recebemos Maria em nossa casa. O quarto evangelho deixa claro que o conhecimento intenso, profundo e místico da pessoa de Jesus é feito com a ajuda de Maria.
Por isso, percebemos que todos os membros do Movimento da Transfiguração devem cultivar uma autêntica e profunda relação filial com a Virgem Maria, através de suas devoções particulares como terço, ladainha, novenas, oficio de Nossa Senhora e tantas outras devoções marianas salutares. Mas, de forma especial, devemos cultivar um relacionamento com Maria a partir da Bíblia – especialmente no quarto evangelho –, através dos ícones e na liturgia da Igreja.
O nosso amor a Maria como nossa mãe, como aquela que acolhemos na casa do nosso coração, lugar onde dialogamos diariamente com ela com o título de Virgem da Ternura (ícone acima), é um grande e essencial meio para a transfiguração das nossas vidas. Por isso, devemos pedir todos os dias: Óh mãe querida e amável revela-nos Jesus!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A Festa da Transfiguração do Senhor - O Movimento


O Movimento da Transfiguração nasce da experiência da revelação divina que é a transfiguração de Jesus no Monte Tabor. Nele, Jesus revela sua identidade de filho de Deus, por isso, o Movimento é um caminho pedagógico de conhecimento de sua pessoa que veio ao mundo para nos salvar.
Assim, toda a espiritualidade do Movimento é um meio para que seus participantes tenham uma experiência com Cristo e esta possa transfigurar toda a sua vida. É na luz que emana do Tabor, que as trevas do mundo e das nossas vidas serão dispersas e, assim, poderemos ser pessoas “iluminadas” pela luz de Cristo, para iluminar o mundo.
O Movimento da Transfiguração é um caminho para esse encontro, através da Leitura Orante da Bíblia pelo método da Lectio Divina, em grupo e pessoalmente, onde cada membro é convidado a, todos os dias, na sua casa, fazer essa experiência de leitura.
Outro ponto fundamental no Movimento da Transfiguração é a Liturgia. É por isso que nas reuniões do Movimento nós somos introduzidos, através da Palavra, na simbologia litúrgica, nos possibilitando um encontro com Deus na pessoa de Jesus, que não é meramente um encontro intelectual, mas também afetivo e relacional. A liturgia, especialmente no calendário litúrgico, nos faz vivenciar a vida de Cristo nos seus vários momentos. É por isso que nos tempos litúrgicos fortes (Advento, Quaresma e Páscoa) as reuniões do Movimento são marcadas por um forte conteúdo bíblico-litúrgico.
Por fim, a oração. As reuniões devem começar com um momento de oração (oração inicial) e esse mesmo espírito de oração deve perpassar a leitura, o comentário, a aplicação e a partilha, até a conclusão com a oração final. Esse espírito de oração deve estar também na nossa leitura bíblica pessoal e diária e na forma atenta e amorosa com que devemos participar da celebração Eucarística. Como conseqüência, esse espírito de oração deve, pouco a pouco, perpassar toda a nossa vida.
Para conhecer mais sobre o Movimento da Transfiguração clique aqui

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Die Ikone der Verklärung Jesu (Mc 9,2-8)


Die Ikone der Verklärung Jesu (Mc 9,2-8)

1) In dem Text von heute werden wir eine etwas andere Leseerfahrung machen: es wird  eine göttliche Lectio anhand der Ikone der Verklärung (oben) sein. In der Ostkirche werden Ikonen als Wort Gottes aufgefasst. Deshalb wird für sie die Ikone nicht gemalt, sondern von einem Ikonographen geschrieben, der sie nach monatelanger Meditation eines biblischen Textes, dem Fasten und Gebet hingegeben, auf das Holz schreibt (malt).
Die beiliegende Ikone der Verklärung ist russischer Herkunft. Sie wurde in Bethlehem im Heiligen Land erworben. Sie ist von beeindruckender Schönheit! Deshalb werden wir den Text zusammen mit einer Betrachtung der Ikone, Vers für Vers, lesen. 

2) “Sechs Tage später nahm Jesus Petrus, Jakobus und Johannes mit sich und führte sie zu einem entlegenen Ort, oben auf einem Berg, wo sie allein blieben. Dort wurde er vor ihnen verklärt.” Die Worte “sechs Tage später” stellen eine Verbindung her zum Beruf des Petrus in Cäsarea Philipp, wo er im Namen aller Jünger ausruft: “du bist der Christus” (Mc 8,29). Diese Verbindung möchte zum Ausdruck bringen, dass die Verkündigung der Augenblick der Offenbarung der Wesenheit Jesu ist. 
Die drei Jünger, die der Verklärung beiwohnten  – Petrus, Jakobus und Johannes – sind dieselben, die Zeugen zweier weiterer Ereignisse wurden, nämlich der Auferstehung der Tochter des Jairus (Mc 5, 21-43) und des Zeitpunktes der Agonie auf dem Ölberg (Mc 14, 32-42). Wir können sagen, dass diese drei die “Erwählten unter den Erwählten” sind, um Zeugen dieser einzigartigen Ereignisse zu werden. 
Betrachten wir die Ikone, um einen jeden der drei Jünger ausfindig zu machen. Der erste, von dem wir sprechen werden, ist der Hl. Jakobus. Er ist der Jünger, der sich in der Mitte befindet und ein rotes Gewand trägt, das die Glorie des Märtyrertums versinnbildlicht. Er war der erste der zwölf, der den Märtyrertod erlitt im Jahr 42 n.Chr.. (siehe At 12,2). Der zweite Apostel, der sich rechts neben dem Hl. Jakobus befindet, ist der Hl. Petrus: sein Arm ist wie beim Sprechen ausgestreckt,denn er ist es, der sagt: “Herr, es ist gut hier zu sein, bauen wir drei Zelte; eines für dich, eines für Moses und eines für Elias.” Auch er trägt ein rotes Gewand, das den Märtyrertod versinnbildlicht. Laut Überlieferung erlitt er den Märtyrertod im Jahr 64 n.Chr. in Rom.
Der dritte Apostel ist der Hl. Johannes. Er trägt kein rotes Gewand. Er war der Einzige unter den Zwölfen, der nicht den Märtyrertod erlitt. Seine Position auf der Ikone ist besonders eigentümlich, denn er blickt auf den verklärten Jesus. Es ist eine tief kontemplative Haltung. In der Darstellung der Tiere in der Apokalypse – die sich um den Thron Gottes herum befunden (Ap 4, 6-11) und im Laufe der Zeit als die Evangelisten identifiziert wurden – ist Johannes der Adler. In alten Zeiten galt der Adler als das einzige Tier, das direkt in die Sonne  blicken konnte. Somit wurde Johannes als der groβe   Mystiker anerkannt, der den Blick direkt auf den verklärten Jesus richten konnte: Derjenige, der leuchtender ist als die Sonne und stets als Sonne der Gerechtigkeit gepriesen wurde. Deshalb konnte Johannes in seinem Brief feststellen: “...Gott ist Licht und in ihm gibt es keine Finsternis” (I Jo 1, 1-5).
Der hohe Berg wurde seit den Ursprüngen des Christentums als der Berg Tabor identifiziert, einer 588 m hohen Erhebung in der Ebene von Galiläa. Von dort bietet sich ein phantastischer Blick über die gesamte Region. Auf ihm befindet sich heute die Verklärungskirche,die auf Wunsch des Hl. Petrus in Form von drei Zelten erbaut wurde, nämlich dem Mittelschiff,dem Zelt Jesu,und den beiden seitlichen Kapellen, die Moses bzw. Elias gewidmet sind, und die somit eine Gruppe von drei Zelten bilden. 

3) “Sein Gewand  wurde sehr leuchtend, so weiβ, wie keine Wäscherin auf Erden es hätte jemals waschen können.” Dieser Vers in Verbindung mit dem letzten Satz des vorangegangenen Verses, den wir nicht kommentierten – “Dort wurde er vor ihnen verklärt” – sind das zentrale Bild der Ikone. Jesus, für einige Augenblicke, offenbart seine Identität als Sohn Gottes  – die seine tiefste Wesenheit ist – und die Jünger nehmen diese Wesenheit in einem Mysterium des Lichtes wahr. Die Jünger sehen, was Jesus im Johannes-Evangelium äuβerte: “ich bin das Licht der Welt”. (Jo 8,12).
Beim Betrachten der Ikone nehmen wir wahr, dass alles in ihr Licht ausstrahlt. Es ist kein natürliches Licht wie das der Sonne, oder ein künstliches wie das einer Lampe. Es ist das Licht der Herrlichkeit Gottes. In der Verklärung öffnet sich ein Fenster des Himmels, der Ewigkeit, und wir können das Licht der ewigen Herrlichkeit hereinstrahlen sehen. 
Achten wir auf zwei Arten von Lichtstrahlen, die auf der Ikone von Jesus ausstrahlen: zunächst der grüne Strahlenkreis.Es ist der Kreis der Wahrheit, der die menschlichen Verstandeskräfte erleuchtet und ihnen die Wahrheit offenbart. Jesus selbst sagt auch: “Ich bin der Weg, die Wahrheit und das Leben” (Jo 14,6). Und er sagt auch: “Ihr werdet die Wahrheit erkennen und die Wahrheit wird euch befreien” (Jo 8,32). Dies ist der kontemplative Weg der Wahrheit, der die menschliche Intelligenz erleuchtet und sie vergöttlicht. 

Die zweite Strahlenart wird dargestellt durch die drei rötlichen Strahlen, die in Richtung der Jünger hernieder strahlen. Diese Strahlen haben die Farbe des menschlichen Herzens und gieβen die göttliche Liebe in das Herz der Jünger hinein. Dies ist der kontemplative Weg des Herzens, der das menschliche Herz vergöttlicht. Wir können sogar einen weiteren Symbolismus hierzu bemerken, wo diese drei Strahlen die drei göttlichen Tugenden darstellen: den Glauben, die Hoffnung und die Liebe.
Wie wir auf dieser Ikone bemerken, können wir in das tiefe Mysterium Gottes, das in Jesus offenbar wurde, durch die zwei groβen, kontemplativen Wege eintauchen, die sich nicht widersprechen, sondern sich ergänzen, nämlich den Weg der Wahrheit und den Weg der Liebe. Die Komplementarität ergibt sich, denn die Liebe schützt die menschliche Intelligenz vor der Ideologie, die eine realitätsfremde Theorie  ist. Und die Wahrheit schützt das menschliche Herz vor dem Sentimentalismus, der eine Deformation der Liebe ist. 

4) “Es erschienen ihnen Elias und Moses mit Jesus sprechend.” In diesem Augenblick, in dem sich das Fenster des Himmels öffnet, erscheinen zwei der Hauptfiguren des Alten Testamentes, um die volle Offenbarung Jesu zu bestätigen und von ihr Zeugnis abzulegen. Auf der Ikone bemerken wir, dass sich die Verklärung zwar auf dem Berg Tabor zuträgt, doch Moses und Elias auf anderen Bergen dargestellt werden. Dies ist eine Form des spirituellen Verständnisses der heiligen Schrift: es soll uns gezeigt werden, dass jeder von ihnen Offenbarungen Gottes auf einem Berg erlebte, doch nicht auf dem Berg Tabor, sondern auf anderen Bergen. 
Moses hält auf der Ikone z.B. ein Buch. Dieses stellt das Gesetz dar, das Moses auf dem Berg Sinai erhielt (Ex 34). Moses ist mit geneigtem Haupt zu sehen und zeigt Jesus das Gesetzesbuch, darauf verweisend, dass sich in Jesus das Gesetz verwirklicht und erfüllt hat. Auf der anderen Seite befindet sich der Prophet Elias, der ebenfalls zum Berg Sinai (Horeb) pilgerte und dort eine tiefe Begegnung mit Gott hatte, die seine Berufung zum Propheten bestätigt (siehe I Rs 19). Er deutet mit der Hand auf Jesus hin und ist mit geneigtem Haupt zu sehen, darauf hinweisend, dass sich in Jesus sämtliche Prophezeiungen verwirklicht haben.
All dies ist in ein tiefes Gespräch Moseund Elias mit Jesus eingebunden. Im Lukas-Evangelium wird der Inhalt dieses Gespräches offenbart: “Sie sprachen von seinem Exodos, der sich in Jerusalem zutragen sollte” (Lc 9,31). In anderen Worten, sie sprachen über die Passion, den Tod und die Auferstehung Jesu: 
“Petrus ergriff sodann das Wort und sagte zu Jesus: ‘Rabi, es ist gut, hier zu bleiben. Wir errichten drei Zelte, eines für dich, eines für Moses und eines für Elias. In Wahrheit wusste er nicht, was er sagen sollte, denn sie waren von Furcht ergriffen.” Die Jünger, die auf der Ikone zu Boden gestürzt dargestellt werden, offenbaren den tiefen Gegensatz, den sie angesichts derart groβartiger Offenbarung erlebten: im ersten Augenblick Furcht, was der Begegnung mit der übersinnlichen Welt zu eigen ist. Wie wir in der Bibel sehen, geschieht dies mit allen, die in irgendeiner Weise eine Gottesbegegnung erlebten; sodann haben sie ein Erlebnis von Glückseligkeit, Frieden und Freude als eine Form der Anteilnahme an der Ewigkeit. Dies lässt  Petrus die Worte sprechen: “Herr, es ist gut, hier zu sein”. 
Der Wunsch des Petrus, drei Zelte zu errichten, kann in einer tieferen Art verstanden werden, wenn man auf das Versprechen Gottes blickt, dass er sein Zelt mitten unter seinem Volk in der messianischen Zeit errichten werde. Petrus, der bereits Jesus als den Christus erkannt hatte, hatte die Intuition, dass die messianische Zeit gekommen war (siehe Buch “Jesus aus Nazareth” 1. Teil – Benedikt XVI). Petrus verstand somit, dass im Augenblick der Verklärung sich zutrug, was in der wörtlichen Übersetzung des Prologs des Johannes-Evangeliums geschrieben steht: “Und das Wort ward Fleisch und wohnte unter uns und wir sahen seine Herrlichkeit” (Jo 1,14)
Es kam sodann eine Wolke hernieder und umhüllte sie mit ihrem Schatten. Und aus der Wolke kam eine Stimme: “Dies ist mein geliebter Sohn. Hört auf ihn!” Dies ist der Höhepunkt der in dieser Szene sich zutragenden Ereignisse. Es ist das Wort des Vaters, das allem, was geschieht, Sinn verleiht, wenn er sagt: “Dies ist mein geliebter Sohn. Hört auf ihn!” Sämtliche Fakten, Worte und Ereignisse dienen als Rahmen dafür, dass das Wort des Vaters verstanden und mit der ihm gebührenden Kraft aufgenommen werden kann. Dies ist die zentrale Botschaft: Jesus ist die Offenbarung in ihrer Fülle; der geliebte Sohn des Vaters; in ihm, durch ihn und für ihn existieren alle Dinge. Wir können nur Jesus tief ergründen, wenn wirseine ewige Beziehung der Liebe zum Vater betrachten. Und dies geschieht, wenn wir auf die Worte Jesu hören und erkennen, dass er Gott ist, der Mensch wurde und mitten unter uns wohnte. 
In der Verklärungsbewegung werden wir dazu aufgerufen, diese Erfahrung der Verklärung Jesu jedesmal zu machen, wenn wir durch das Gebet, die Lektüre des Wortes Gottes bzw. durch die Lithurgie das Antlitz Gottes suchen. Wir werden dazu aufgerufen, in tiefem, intensivem und kontemplativem Gebet zu leben, das unser Leben verklären möge. Damit durch dieses Gebet das Licht des Christus, das wir in unseren Verstandes- und in unseren Herzenskräften empfangen, unser Denken und unser Handeln erleuchten und somit auf alle, die uns umgeben, übergreifen kann.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Peregrinação Santuários Europeus - 4º dia - Ávila

No período de 21 de setembro a 6 de outubro, o Movimento da Transfiguração organizou mais uma peregrinação, desta vez aos Santuários Europeus.
No quarto dia da nossa Peregrinação visitamos a cidade de Ávila, onde Santa Teresa de Jesus nasceu e viveu a maior parte de sua vida. Essa cidade também é marcada pelas mais bem preservadas muralhas da Europa. Visitamos a belíssima Catedral de Ávila, a Igreja de Santa Teresa, que foi construída em cima da casa onde ela nasceu, e, por fim, fomos ao Mosteiro da Encarnação, onde celebramos a Missa.
Veja abaixo as fotos:

 As muralhas da cidade de Ávila - vista do Mosteiro da Encarnação


Foto do grupo junto a imagem de São João da Cruz



 Claustro da Catedral de Ávila
 Lista de todos os Bispos de Ávila desde o primeiro século




 Ostensório da Catedral de Ávila usado até hoje na procissão de Corpus Christi

Capela construída no local onde era o quarto de Santa Teresa de Jesus





 Pátio de entrada do Mosteiro da Encarnação

 Cálice usado por São João da Cruz e pelo Beato João Paulo II

 Imagem que motivou a conversão de Santa Teresa de Jesus

 Missa na capela do Mosteiro da Encarnação, onde Santa Teresa participava da missa e das orações


Para ver as fotos dos outros dias, clique abaixo:

Peregrinação Santuários Europeus - 1º dia - Lisboa

Peregrinação Santuários Europeus - 2º dia - Fátima

Peregrinação Santuários Europeus - 3º dia - Santiago de Compostela

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Último ângelus de Bento XVI: servirei a Igreja com o mesmo amor e dedicação de sempre


VATICANO, 24 Fev. 13 / 09:42 am (ACI).- No marco do segundo domingo da Quaresma, e em seu último ângelus como Sumo Pontífice Bento XVI fez um chamado à primazia da oração na vida cristã, e partilhou que, agora, mediante uma vida de oração “não abandono a Igreja, pelo contrário. Continuarei a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor”.

A Praça S. Pedro, informou a Rádio Vaticano, estava repleta neste domingo para este evento histórico. Faixas e cartazes em várias línguas demonstraram o carinho dos fiéis. A Praça se enchia desde as primeiras horas da manhã aos poucos foi sendo tomada por religiosas, sacerdotes, turistas, mas principalmente por famílias com crianças e muitos jovens.

Ao meio-dia, assim que a cortina da janela de seus aposentos se abriu, Bento XVI foi aclamado pela multidão.

Em sua catequese o Papa iniciou a meditação ressaltando que “no segundo domingo da Quaresma, a liturgia nos apresenta sempre o Evangelho da Transfiguração do Senhor”.

“O evangelista Lucas coloca especial atenção para o fato de que Jesus foi transfigurado enquanto orava: a sua é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive em uma alta montanha na companhia de Pedro, Tiago e João.

“O Senhor, que pouco antes havia predito sua morte e ressurreição (9:22), oferece a seus discípulos antes da sua glória. E mesmo na Transfiguração, como no batismo, ouvimos a voz do Pai Celestial, "Este é o meu Filho, o Eleito ouvi-lo" (9:35). A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo, que faz um "êxodo" novo (9:31) , não para a terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o céu”, explicitou o Papa.

Meditando sobre a atitude do Apóstolo Pedro que queria continuar no Tabor, prolongando a experiência de comunhão com o Senhor, o Papa afirmou que da Transfiguração do Senhor “podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a qual todo o trabalho de apostolado e de caridade é reduzido ao ativismo. Na Quaresma, aprendemos a dar bom tempo para a oração, pessoal e comunitária, o que dá ânimo à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é isolar-se do mundo e suas contradições, como no Tabor desejava Pedro, mas a oração reconduz ao caminho, à ação. "A vida cristã - Eu escrevi na Mensagem para a Quaresma - consiste em uma subida contínua da montanha para encontrar-se com Deus, antes de cair de volta trazendo o amor e o poder dele derivado, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus "

Partilhando sobre seu retiro a uma vida dedicada à oração e reflexão, que terá início após sua renúncia que será efetiva dentro de 3 dias, o Papa afirmou que “o Senhor me chama a "subir o monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, ao contrário, se Deus me pede isso é precisamente para que eu possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor com o qual eu fiz até agora, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças”.

Na saudação em várias línguas, Bento XVI falou também em português: “Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o Angelus: obrigado pela vossa presença e todas as manifestações de afeto e solidariedade, em particular pelas orações com que me estais acompanhando nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos”.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Encontro sobre Lectio Divina na Diocese de Campo Limpo/SP

No dia 1 de dezembro o Movimento da Transfiguração foi responsável por animar e pregar um encontro sobre Lectio Divina para líderes da Diocese de Campo Limpo/SP. O encontro foi realizado no Seminário Mater Eclesiae, em Itapecerica da Serra/SP, cidade que fica a 30km da capital de São Paulo/SP. Neste encontro tivemos a oportunidade de explicar o que é a Lectio Divina, depois foi explicado como fazer a Lectio e, por fim, fizemos uma Lectio Divina com o ícone da Transfiguração do Senhor. O encontro teve a participação de 220 pessoas e durante o dia o Pe. Francisco Alexandre confessou vários participantes. Também tivemos a oportunidade de lançar o livro "Lectio Divina do Evangelho de Marcos". O dia foi concluído com a missa presidida pelo Pe. Odair, responsável pela animação bíblico-catequética da Diocese, foi dele que partiu o convite para que o Movimento da Transfiguração estivesse à frente desse encontro.
Veja abaixo as fotos:







Pe. Francisco Alexandre confessando durante o encontro

Cesar autografando o livro "Lectio Divina do evangelho de Marcos"

Lojinha com a venda do livro, ícones e camisetas






Cesar e Marjorie com Pe. Odair

Marcelo e Cleyton (Seminaristas que nos ajudaram no encontro), Cesar e Marjorie e Pe. Odair