segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Visita a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Gama /DF


      Nos dias 28 e 29 de maio estivemos visitando, no Distrito Federal, a cidade satélite do Gama, mais especificamente a paróquia Nossa Senhora de Fátima. Lá fizemos uma apresentação do Movimento da Transfiguração através do método da Lectio Divina e uma divulgação da nossa Peregrinação a Terra Santa.
      Na oportunidade, participamos das Celebrações Eucarísticas presididas pelos Padres Gregório e Isaias, na sede da paróquia, e também em uma de suas comunidades. Foi mais uma oportunidade de entrar em contato com esta paróquia cheia de vida, já que no período do Congresso Eucarístico Nacional (maio/2010) tínhamos ficado hospedados na casa de um casal da paróquia.
      Mais informações sobre a Peregrinação a Terra Santa clique aqui .

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

100 anos de Madre Teresa




      No dia 26 de agosto de 1910 nascia em Skopje, na Albânia, Anjeza Gonxhe Bojaxhiu, aquela que viria a ser conhecida como Madre Teresa de Calcutá. Fundadora, na Índia, da congregação das Missionárias da Caridade, congregação espalhada em vários países.
      Eu tenho uma particular relação com Madre Teresa: primeiro, porque nos anos que morei em Salvador, por várias vezes visitei a casa das irmãs Missionárias da Caridade. Foram sempre momentos muito marcantes ver o amor das irmãs pelas pessoas mais pobres, especialmente, porque era perceptível que derivava de um autêntico amor a Jesus, nascida de uma vida de fé intensa.
      Nestas visitas, também tive oportunidades de desenvolver uma amizade com algumas irmãs, o que muito enriqueceu minha vida: foram diálogos sobre a vida de oração e a vivencia cristã.
      A segundo motivo é que estive presente na Praça de São Pedro, em Roma, na celebração da Beatificação de Madre Teresa, pelo então Papa João Paulo II, no ano de 2003. Creio que isto se tornou uma marca no meu relacionamento com Madre Teresa.
      Um terceiro motivo é que no período em que percebi a inspiração para iniciar o Movimento da Transfiguração, a história da fundação das Missionárias da Caridade foi um dos motivadores para os passos da sua fundação.
      Por esses motivos, é uma grande alegria este centenário de nascimento, que será marcado por um ano de grandes celebrações no mundo inteiro, especialmente na Índia. Aguardo com grande expectativa a celebração de sua canonização, e, se Deus quiser, estarei presente para mais uma vez reafirmar esta grande amizade de um pecador com uma santa.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O médico do Papa


Segue abaixo uma reportagem retirada da agência de noticias Zenit sobre Patrizio Polisca, médico do Vaticano,  função mais conhecida como “o medico do Papa”:

“O médico Patrizio Polisca ainda recorda as palavras da Ir. Caridad, uma religiosa espanhola que administrava um hospital em Roma onde ele trabalhava: “O senhor terá de ir porque um dia será o médico do Papa”. Palavras que se mostraram proféticas no dia 5 de julho, quando ele assumiu o cargo como novo diretor de Serviços de Saúde no Estado do Vaticano. 
“Trata-se de garantir a assistência e o cuidado das pessoas que vivem, trabalham ou passam pelo Vaticano”, afirma Polisca em uma entrevista publicada no último sábado por L’Osservatore Romano.
O novo médico do Papa substitui Renato Buzzonetti. Ele garante que pensa em continuar “o caminho bem traçado”. A respeito das pessoas que trabalham lá, disse: “conheço todos e agora se trata de coordenar e cumprir juntos uma missão importante. Buscaremos fazer isso sempre melhor”.
Servir como médico
Este homem casado e com três filhos é especialista em doenças infecciosas, cardiologia, anestesia e reanimação.
Em 1986, aquele que hoje é seu antecessor, Renato Buzzonetti, chamou-o para uma entrevista. Ele propôs fazer um plantão médico em Castelo Gandolfo durante os períodos de férias.
Polisca recorda que no verão de 1987 se encontrou pela primeira vez com João Paulo II. “Havia celebrado a missa e o vi no pátio do palácio. Seu secretário particular, Dom Stanislaw, apresentou-nos, dizendo ‘É o médico de plantão hoje’, e o Papa respondeu: ‘Tão jovem’”?.
“Nesse momento, dei-me conta do que estava acontecendo. Eu estava de frente com o Papa. Estava ali por ele, caso precisasse de um médico”, conta.
“O rosto de Karol Wojtyla, que sorriu depois daquelas palavras, animou-me”, confessa. “Na hora vieram à mente as palavras da madre Caridad: uma sensação inesquecível, que contudo hoje ainda me faz estremecer.”
“Senti-me como numa ocasião de crescimento profissional, maduro no sentido mais agradável, ou ao menos o mais próximo da sensibilidade cristã”, comenta o médico.
Polisca permaneceu neste cargo até 1994, até que Buzzoneti lhe propôs se converter em oficial da saúde vinculado ao corpo médico vaticano. Sua primeira viagem com o pontífice foi a Cuba, em janeiro de 1998. “Recordo com alegria cada momento, quase todas as pessoas encontradas, os olhos vermelhos penetrantes de Fidel Castro, o olhar decidido e sereno de João Paulo II. O magnetismo que exercia sobre as multidões me impressionou muito”.
Desde 2003, começou a acompanhar todas as viagens do Papa. “Em Bratislava (capital da Eslováquia), o Papa teve um pequeno mas doloridíssimo acidente quando voltava à nunciatura”, recorda. “A dor que sentiu foi tão grande que lhe provocou uma crise respiratória. Teve um ataque de pânico, uma situação que nunca tinha passado antes. Mas o problema se resolveu bem em questão de minutos”.
O novo médico do Papa narrou também os últimos momentos que esteve com João Pauilo II. “Permaneci ao seu lado desde quinta-feira pela tarde até a manhã de sábado. Então beijei sua testa e saí. Não acredito que tenha me reconhecido. Não estava com ele quando morreu”.
Também se referiu ao seu trabalho no Vaticano: “a Providência guiou”. Uma experiência que interiormente o fortaleceu: “compreendi o sentido de minha permanência na Igreja de Cristo; tomei consciência do que significa servir ao Papa e, por meio dele à Igreja”.
Igualmente, recordou a eleição de Bento XVI: “Buzzoneti e eu fomos os primeiros leigos a ser saudados pelo Papa”. Uma saudação que lhe trouxe muitas surpresas, porque Ratzinger, ao vê-lo, recordou um diálogo que haviam tido em 1990 sobre São Boaventura: “Fiquei chocado, incapaz de qualquer reação. Estava totalmente surpreendido, de forma a não conseguir dizer nada; talvez com um daqueles sorrisos estranhos quando não se sabe o que dizer”.
Falou também das exigências de seu novo cargo. “Precisamente pelas grandes responsabilidades que adquiri, tenho o dever de estar constantemente atualizado para manter minhas habilidades profissionais”, disse.
“Por isso, estou na Universidade Policlínica de Tor Vergata, onde trabalho na equipe de cardiocirurgia e também sou encarregado de uma clínica muito complexa.”
“Também é necessário continuar estudando. Dedico-me aos estudos principalmente aos sábados e domingos”, disse.
Polisca, ademais, preside à comissão médica que examina os casos milagrosos na Congregação para as Causas dos Santos: “Ter entrado nesta equipe é uma honra para mim. Estamos convidados a dar nossa opinião sobre as curas milagrosas, aquelas que não são explicáveis pela a ciência e são atribuídas à intercessão dos santos”.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Retiro do Movimento da Transfiguração em Goiânia

      Nos dias 20, 21 e 22 de agosto tivemos o retiro do Movimento em Goiânia. O tema foi  “Tua palavra é luz para os meus passos e lâmpada para os meus pés” e nossa aproximação da palavra de Deus foi em duas direções: a primeira, através do método da Lectio Divina; e a segunda, através da Liturgia das Horas .

      No retiro ainda tivemos momentos de palestras, partilhas e apresentação sobre o evangelho de João, tudo isso marcado por um clima de grande fraternidade. Outro ponto marcante foi o próprio local: a casa de retiro Caminho de Emaús .

      Veja abaixo as fotos do retiro:












quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O programa oficial da visita de Bento XVI ao Reino Unido


    Foi divulgado pelo vaticano o programa oficial da visita de Bento XVI  ao Reino Unido.
Uma coisa que me chama muita atenção, nestes programas de visita do Papa a  outros países, é como uma pessoa de mais de 80 anos segue uma agenda tão exigente e apertada.
      Esta visita ainda será uma das mais difíceis que ele irá fazer por causa do histórico anti católico  da Inglaterra: lá os católicos são uma minoria e nos últimos anos o país tem desenvolvido uma política de “laicismo” onde qualquer manifestação religiosa na sociedade é combatida.
      Por isso, há uma forte reação em uma parte da sociedade inglesa a esta visita; de forma especial por causa dos ensinamentos da Igreja em relação ao aborto e o homossexualismo.
      Desta forma, é fundamental a nossa oração pelo Papa, para que esta visita seja coroada de êxito e que o Espírito Santo dê força e sabedoria para que ele anuncie, com destemor,  a Palavra de Deus.
Segue abaixo o programa oficial:
A viagem começará às 8h10 do dia 16 de setembro, com a saída do Papa do aeroporto Ciampino (Roma), rumo ao Reino Unido.
Às 10h30, está prevista a chegada ao aeroporto Internacional de Edimburgo, onde acontecerá a recepção oficial de Bento XVI.
      O programa inclui uma cerimônia de boas-vindas às 11h, no Palácio Real de Holyroodhouse, na capital da Escócia, onde o Pontífice realizará uma visita de cortesia à rainha da Inglaterra, Isabel II.
    No parque do palácio, Bento XVI se encontrará com as autoridades às 11h40 e pronunciará um discurso.
Às 13h, o séquito papal almoçará na residência arcebispal de Edimburgo. À tarde, o Pontífice se dirigirá a Glasgow, onde, às 17h15, está prevista uma Missa no Parque Bellahouston, na qual Bento XVI pronunciará a homilia.
      O Papa sairá do Aeroporto Internacional de Glasgow, às 20h, rumo a Londres, chegando ao Aeroporto Internacional de Heathrow, no distrito de Hillingdon.
No dia seguinte, 17 de setembro, celebrará a Missa em privado, às 8h, na capela da nunciatura apostólica em Wimbledon, no distrito de Merton.
      O programa prevê para as 10h um encontro do Bispo de Roma com o mundo da educação católica, na capela do campo esportivo da Universidade de St Mary, em Twickenham, no distrito de Richmond, onde cumprimentará os presentes e dará um discurso.
      Às 11h30, está previsto um encontro com líderes de diversas religiões na Waldegrave Drawing Room da Universidade de St Mary, durante o qual o Papa pronunciará um discurso.
Segundo o programa oficial, a viagem continuará com uma visita de cortesia ao arcebispo da Cantuária, às 16h, no Palácio de Lambeth, durante a qual o Papa dará um discurso.
    Às 17h10, está previsto um encontro de Bento XVI com expoentes da sociedade civil, do mundo acadêmico, cultural e editorial, com o corpo diplomático e com líderes religiosos no Westminster Hall (na cidade de Westminster), no qual o Papa também pronunciará um discurso.
      Às 18h15, a Abadia de Westminster acolherá uma celebração ecumênica que incluirá outro discurso do Pontífice.
O programa do sábado, 18 de setembro, começa às 9h, com um encontro com o primeiro-ministro, seguido de um encontro com o vice-primeiro-ministro às 9h20, e com os líderes da oposição dez minutos depois, no palácio arcebispal de Westminster.
      Às 10h, o Papa presidirá a Missa na catedral do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Westminster, na qual saudará os fiéis e pronunciará a homilia.
O programa oficial continua às 17h, com uma visita papal ao Asilo de São Pedro, no distrito de Lambeth, durante a qual o Pontífice dará umas palavras.
      Às 18h15, está prevista uma vigília de oração pela beatificação do cardeal John Henry Newman, no Hyde Park, em Westminster, que incluirá um discurso do Pontífice.
      No domingo, 19 de setembro, será realizada uma despedida do Papa às 8h, na nunciatura apostólica de Wimbledon, e às 8h45, Bento XVI sairá de helicóptero do Wimbledon Park rumo a Birmingham.
      Às 9h30, está prevista a chegada do Papa ao Cofton Park de Rednal, em Birmingham, onde, às 10h, começará a Missa, com a beatificação do cardeal Newman.
      O Papa pronunciará a homilia e depois rezará o Ângelus, que acompanhará com algumas palavras e saudações, como é tradição.
Às 13h10, Bento XVI realizará uma visita privada ao Oratório de São Felipe Néri, de Edgbaston, em Birmingham.
E às 13h45, almoçará com os bispos da Inglaterra, Gales e Escócia, e com os membros do seu séquito no refeitório da Francis Martin House do Oscott College, em Birmingham.
      Na capela do mesmo centro, o Pontífice terá, às 16h45, um encontro com os bispos da Inglaterra, Gales e Escócia, a quem dirigirá um discurso.
      Às 18h15, haverá uma cerimônia de despedida, no Aeroporto Internacional de Birmingham, que incluirá um discurso do Papa. 
Meia hora depois, está prevista a saída do avião papal rumo a Roma, aonde chegará às 22h30.
      Bento XVI permanecerá 4 dias em um país que conta com 5.264.000 católicos, de uma população de 59.381.000 pessoas, segundo as Estatísticas da Igreja Católica na Grã-Bretanha de 31 de dezembro de 2009.
      A Igreja na Inglaterra, Gales e Escócia conta com 5.225 sacerdotes, 245 seminaristas maiores, 6.155 religiosas professas e 34.669 catequistas, assim como mais de 2.800 escolas de diversos níveis, onde estudam cerca de 800 mil alunos.
       Também tem 8 hospitais, 1 ambulatório, 171 centros para idosos, portadores de deficiências e menores, 79 orfanatos e creches, 94 consultórios familiares e centros para a proteção da vida e 147 centros especiais de educação social.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O site do Vaticano


      O site do Vaticano é um dos grandes meios de evangelização e de comunicação da Igreja. Ele tem em média 3 milhões de acessos diários e é um meio singular de o Papa Bento XVI se fazer presente, com as suas palavras e ações, em qualquer lugar do mundo.
      É importante lembrar que este é só um dos meios digitais que o Papa tem para se comunicar. O site tem 500 mil páginas internas e os dez primeiros lugares do ranking dos países de onde acessam os usuários correspondem aos Estados Unidos, Itália, Espanha, Alemanha, Brasil, Coréia do Sul, México, Canadá, França e China.
      A equipe é composta de 21 pessoas que trabalham nos serviços de Internet do Vaticano, em duas áreas: o aspecto tecnológico e o de conteúdos. Esta equipe da a estrutura técnica e de pessoal na área de internet para que o Papa possa cumprir sua missão de levar o evangelho “até aos confins do mundo” .

domingo, 15 de agosto de 2010

O papel da beleza no culto religioso - 5ª parte: A reforma da reforma


      Continuamos a série de postagens sobre o papel da beleza no culto religioso, da obra de Dietrich Von Hildebrand. Nesta quinta parte falaremos sobre a reforma da reforma:
      "Um dos maiores objetivos do movimento litúrgico tem sido o de substituir orações e hinos inadequados por textos sagrados das preces litúrgicas oficiais e pelo Canto Gregoriano. Assistimos, hoje, a uma deformação do movimento litúrgico quando muitos tentam substituir os sublimes textos latinos da Liturgia por traduções nativas, com gírias. Chegam mesmo a mudar, arbitrariamente, a Liturgia no intuito de “adaptá-la aos nossos tempos”. O Canto Gregoriano vai dando lugar, na melhor hipótese, à música medíocre, quando não ao jazz ou ao rock and roll. Essas grotescas substituições empanam o espírito de Cristo incomparavelmente mais do que o fizeram certos tipos antigos e sentimentais de devoção. Esses eram inadequados. Aqueles, além de inadequados, são antitéticos à sagrada atmosfera da Liturgia. É mais do que uma deformação; isso lança o homem em uma atmosfera tipicamente mundana. Apela no homem para algo que o torna surdo à mensagem de Cristo.
      Mesmo quando se substitui a beleza sagrada, já não pela vulgaridade profana, mas por abstração neutra, incorre-se em sérias conseqüências para as vidas dos fiéis, pois, como indicamos, a Liturgia católica se dirige à personalidade total do fiel. O fiel não é atraído ao mundo de Cristo apenas por sua crença ou por símbolos estritos. São levados a um mundo mais alto pela beleza do altar, pelo ritmo dos textos litúrgicos, pela sublimidade do Canto Gregoriano ou por músicas verdadeiramente sacras, tais como a Missa de Mozart ou de Bach. Até mesmo o perfume do incenso tem função significativa, nesse sentido. O emprego de todos os canais capazes de introduzir-nos no Santuário é profundamente realista e profundamente católico. É autenticamente existencial e realiza função notável em ajudar-nos a elevar nossos corações.
      Se é verdade que considerações de cunho pastoral poderão recomendar como desejável o uso do vernáculo, o Latim da Missa — na missa silenciosa, dialogada e, especialmente, cantada com o Gregoriano — jamais deveria ser abandonado. Não se trata de guardar o latim de Missa por certo tempo até que os fiéis se habituem à missa em vernáculo. Como a Constituição da Sagrada Liturgia claramente determina, é permitido o uso do vernáculo, mas a Missa em Latim e o Canto Gregoriano conservam toda sua importância. Foi essa a intenção do motu proprio de São Pio X, que afirmou ser o Latim da missa, como o Canto Gregoriano, responsável também pela formação da piedade dos fiéis, através da atmosfera sagrada e única gerada por sua dicção. Assim, os anseios de muitos católicos e do movimento Una Voce não se dirigem contra o uso do vernáculo, mas contra a eliminação da Missa em Latim e do Canto Gregoriano. Eles apenas estão pedindo que se cumpra, realmente, a Constituição da Sagrada Litugia.
      Contudo, certos católicos de hoje manifestam o desejo de mudar a forma exterior da Liturgia, adaptando-a ao estilo de vida de nossa época dessacralizada. Esse desejo denota cegueira com relação à natureza da Liturgia, bem como ausência de respeito reverencial e gratidão pelos dons sublimes de dois mil anos de vida cristã. Acreditar que as formas tradicionais podem ceder o lugar a algo melhor é dar provas de uma ridícula auto-suficiência. E esse conceito é particularmente incongruente nos que acusam a Igreja de “triunfalismo”. De um lado, eles consideram falta de humildade a Igreja proclamar que Ela só é detentora da plena revelação divina (em vez de perceber que essa proclamação se fundamenta da natureza da Igreja e decorre de sua missão divina). De outro lado, demonstram ridículo orgulho quando simplesmente assumem que nossa época moderna é superior às anteriores.
      Podem-se ouvir, hoje, razões de protesto declarando, por exemplo, que o texto do Glória e de outras partes da Missa estão repleto de expressões cansativas de louvor e glorificação a Deus, quando deveriam fazer mais referências a nossas vidas. É um contra-senso que revela como tinha razão Lichtemberg ao dizer que, se fosse dado a um macaco ler as epístolas de São Paulo, ele veria sua própria imagem refletida nelas. Admiram-se os nossos “teólogos” modernos não apresentarem, dentro em breve, uma nova versão do “Pai Nosso”, como o fez Hitler. O “Pai Nosso” claramente enfatiza o primado absoluto de Deus, tão distante da mentalidade típica moderna. Um único pedido diz respeito ao bem-estar terrestre: “o pão nosso de cada dia”… O restante diz respeito ao próprio Deus, a seu Reino, a nosso bem-estar eterno".

sábado, 14 de agosto de 2010

O papel da beleza no culto religioso - 4ª parte: O valor da beleza

      Continuamos a série de postagens sobre o papel da beleza no culto religioso, da obra de Dietrich Von Hildebrand. Nesta quarta parte falaremos sobre a beleza com relação ao valor da beleza.
      "Como se erra, portanto, ao considerar a beleza das igrejas e da Liturgia como coisas que nos podem distrair e afastar do tema real dos mistérios litúrgicos para algo superficial! Quem diz que igreja não é museu e que o homem realmente piedoso é indiferente a essas coisas acidentais, apenas revela sua cegueira à magnífica função desempenhada pela expressão adequada (e bela). Em última análise, trata-se de uma cegueira à própria natureza humana. Mesmo que essas pessoas se proclamem “existencialistas”, continuam muito abstratas. Esquecem que a beleza autêntica encerra mensagem específica de Deus, que nos eleva as almas. Como dizia Platão: “À vista da beleza, crescem asas às nossas almas”. Mais ainda: da beleza sagrada relacionada à Liturgia nunca se afirma que seja temática, como nas obras de arte; pelo contrário, como expressão, têm a função de servir. Longe de obnubilar ou de se substituir ao tema religioso da Liturgia, ajuda a torná-lo fulgurante.
      Valor não é sinônimo de “ser indispensável”. O princípio básico da superabundância em toda a criação e em todas as culturas manifesta-se, exatamente, nos valores não indispensáveis a certa finalidade ou tema. A beleza da natureza não é indispensável à economia da natureza. Nem a beleza da arquitetura é indispensável para nossas vidas. Mas, o valor da beleza, na natureza e na arquitetura não é diminuído pelo fato de ser um dom, que de muito transcende a mera utilidade. Desse modo, a beleza é importante não só quando é ela mesma o tema (caso da obra de arte), mas também quando a serviço de outro tema. Destacar que a Liturgia deve ser bela não é colorir religião com tratamento estético. A aspiração pela beleza, na Liturgia, nasce do sentido do valor específico que se apóia na adequação da expressão.
      A beleza e a sagrada atmosfera da Liturgia são algo não só precioso e valioso por si mesmo (na qualidade de expressões adequadas dos atos religiosos de adoração), mas são, também, de grande importância para o desenvolvimento espiritual das almas e dos fiéis. Repetimos: aqueles que, no movimento litúrgico, têm insistido na afirmação de que orações e hinos cansativos denominam o ethos religioso dos fiéis, apelando para o que no interior humano está longe do que é religioso, lançam-no em uma atmosfera que obscurece e embaça o semblante de Cristo. É de enorme importância a beleza sagrada para a formação do verdadeiro ethos do fiel. No livro Liturgia e Personalidade, falamos em detalhe da função profunda da Liturgia em nossa santificação, sem sacrifício de ser o culto de Deus seu tema central. Na Liturgia louvamos e agradecemos a Deus, associamo-nos ao sacrifício e à prece do Cristo. Convidando-nos a orar a Deus com o Cristo, a Liturgia exerce papel fundamental em nossa transformação em Cristo. Esse papel não se restringe ao aspecto sobrenatural da Liturgia. Integra, também, sua forma, a sagrada beleza que toma corpo nas palavras e na música da Santa Missa ou do Ofício Divino. Desprezar esse fato é sinal de grande primitivismo, mediocridade e falta de realismo".

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O papel da beleza no culto religioso - 3ª parte: A realidade absoluta

      Continuamos a série de postagens sobre o papel da beleza no culto religioso, da obra de Dietrich Von Hildebrand. Nesta terceira parte falaremos sobre a beleza com relação à realidade absoluta.
     "Por vezes os argumentos iconoclastas tomam outra feição. Ouve-se, ocasionalmente, algum vigário dizer que a missa é algo abstrato e que as igrejas, especialmente o altar, deveriam ser despojados. Na verdade, a Santa Missa é um mistério surpreendente e que transcende a toda compreensão pela só razão, mas não é, absolutamente, abstrato.

      Abstrato é algo especificamente racional; opõe-se a real, concreto, individual. O mundo do sobrenatural, a realidade revelada, transcende o mundo da razão, mas não implica nenhuma oposição ao real e ao concreto. É, pelo contrário, realidade definitiva e absoluta, se bem que invisível. A Missa é, assim, um epítome da realidade concreta, do nunc (agora), pois o próprio Cristo se faz verdadeiramente presente.
      A força e o impacto existencial da Sagrada Liturgia têm suas raízes exatamente no fato de não ser abstrato e dirigir-se não só à nossa inteligência ou simplesmente à fé, mas, sobretudo, de falar, de inúmeras maneiras, à totalidade da pessoa humana. Imerge o fiel na sagrada atmosfera do Cristo, pela beleza e esplendor sagrado das igrejas, pelo colorido e beleza das vestimentas, pelo estilo de linguagem e sublimidade musical do Cantochão.
      Católicos progressistas dizem, às vezes, que aqueles que combatem a iconoclastia, se ocupam do “inessencial”.
       De fato, não é essencial que seja bonita a igreja, onde se celebra a Santa Missa e distribui a Comunhão aos fiéis. São essenciais apenas as palavras que perfazem a transubstanciação. Sendo este o sentido da frase, nada objetaremos. Se o termo “inessencial” significar “sem significação”, então se está querendo dizer que coisas como a beleza das igrejas, a Liturgia e a música são “triviais” e a acusação é completamente errada, porque existe uma relação profunda entre a essência de alguma coisa e sua expressão adequada. A respeito da Santa Missa esta observação é particularmente verdadeira.
      O modo como é apresentado esse mistério, sua visível manifestação, desempenha papel definido e não pode ser considerado sujeito a mudanças arbitrárias, apesar de ser incomparavelmente mais importante aquilo que se expressa do que sua expressão. Se bem que o tema efetivo da Missa seja tornar presente o mistério do Sacrifício de Cristo na Cruz e o Mistério da Eucaristia, deve-se dar grande peso à atmosfera sagrada criada pelas palavras, ações, acompanhamento musical e igreja onde se celebra. nada disso pode ser considerado de interesse meramente estético.
      Contrapõe-se a todo esse menosprezo gnóstico do conteúdo e da forma externa o princípio especificamente cristão de que as atitudes espirituais devem encontrar também expressão adequada na conduta do corpo, nos seus movimentos e no estilo de nossas palavras. A Liturgia inteira está penetrada desse princípio. Analogamente, o salão e o edifício onde se desenrolam cerimônias sagradas devem irradiar uma atmosfera que lhe corresponda. É certo que a realidade dos mistérios nada sofre se a sua expressão for inadequada. Há, contudo, um valor específico em dar-lhe expressão adequada".

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O papel da beleza no culto religioso - 2ª parte: A pobreza evangélica

        Continuamos a série de postagens sobre o papel da beleza no culto religioso, da obra de Dietrich Von Hildebrand. Nesta segunda parte falaremos sobre a beleza com relação à pobreza evangélica.
      "Infelizmente alguns católicos dizem, hoje, que o desejo de dotar de beleza o culto se opõe à pobreza evangélica. É um erro grave e que parece freqüentemente inspirado em sentimento de culpa por terem eles sido indiferentes às injustiças sociais e negligenciado os legítimos reclamos da pobreza. É então em nome da pobreza evangélica que nos dizem que as igrejas devem ser graves, simples, despojadas de todos os adornos necessários.
      Os católicos que fazem essa sugestão confundem a pobreza evangélica com o caráter prosaico e monótono do mundo moderno. Deixaram de ver que a substituição da beleza pelo conforto, e do luxo que muitas vezes o acompanha, é muito mais antitético à pobreza evangélica do que a beleza — mesmo esta em sua forma mais exuberante. A noção funcionalista do que é supérfluo é muito ambígua, simples seqüela do utilitarismo. Contradiz as palavras do Senhor: Nem só de pão vive o homem. No livro Nova Torre de Babel, procuramos mostrar que a cultura é um bem superabundante, algo que necessariamente parece supérfluo à mentalidade utilitarista. Graças a Deus, esta não foi a atitude da Igreja e dos fiéis através dos séculos. São Francisco, que em sua própria vida praticou a pobreza evangélica ao extremo, jamais afirmou que as igrejas devessem ser vazias, despojadas, sem beleza. Pelo contrário, igreja e altar nunca seriam suficientemente belos para ele. Diga-se o mesmo de Cura d’Ars, São João Batista Vianney.
      Acontece um ridículo paradoxo quando, em nome da pobreza evangélica, são demolidas e substituídas as igrejas mais preciosas artisticamente — e a que custo! — por igrejas prosaicas e monótonas. Não é a beleza e o esplendor da igreja, a casa de Deus, que são incompatíveis com o espírito de pobreza evangélica e que escandalizam o pobre; são muito mais o luxo e o conforto desnecessários, hoje tão em voga. Se o clero deseja retornar à pobreza evangélica, deve reconhecer que em regiões como nos Estados Unidos e na Alemanha o clero possui os carros mais elegantes, as melhores máquinas fotográficas, os aparelhos mais modernos de TV. Beber e fumar muito é, certamente, oposto à pobreza evangélica; mas não, decerto, a beleza e o esplendor das igrejas.
      De um lado, afirmar-se que as igrejas deveriam ser despojadas, porém, ao mesmo tempo, paróquias e campus de escolas católicas estão levantando feios edifícios para assuntos sociais, dotados de todo tipo de luxo desnecessário. Isto é feito em nome de problemas sociais e do espírito de comunidade. Até mesmo nos conventos verifica-se desenvolvimento análogo. Essas novas estruturas não são apenas opostas à pobreza evangélica; criam, também, uma atmosfera tipicamente mundana. Cadeiras reclináveis e tapetes espessos com maciez não muito saudável. Esses edifícios reúnem, artificialmente, três propriedades negativas: dispendiosos (o que diretamente se opõe à pobreza evangélica), feios e convidativos a concessões pessoais, típicas da degeneração que, hoje, ameaça os homens".

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O papel da beleza no culto religioso -1ª parte: O “esteticismo”

      No mês em que celebramos a Festa da Transfiguração, onde Cristo revela toda a beleza de sua identidade de filho de Deus, postaremos uma série sobre o papel da beleza no culto religioso, da obra de Dietrich Von Hildebrand. Desejo que este belo artigo nos ajude a mergulhar no mistério Deus .

I ) parte o “esteticismo”
A beleza desempenha importante papel no culto religioso. O ato mesmo de adoração à divindade encerra o desejo de envolver o culto com a beleza. Estigmatizar a preocupação com o belo no culto religioso como “esteticismo” — como fizeram recentemente, com crescente acrimônia, alguns católicos — é revelar uma concepção deformada do culto religioso e da natureza do belo.
      É o que se vê claramente quando se considera a natureza do “esteticismo”, em vez de se usar o termo apenas com slogan destruidor.
      O esteticismo é uma perversão na maneira de considerar a beleza. O esteta saboreia coisas belas como quem saboreia vinho. Não as trata com o respeito e a compreensão do valor intrínseco que requer uma resposta adequada, mas como fontes de satisfação meramente subjetiva. Mesmo dotado de refinado bom gosto, mesmo que seja um notável connaisseur, o tratamento do esteta não pode fazer de maneira alguma justiça à natureza do belo. Acima de tudo, é indiferente a todos os demais valores inerentes ao objeto. Qualquer que seja o tema de uma situação, vê-o somente do seu ponto de vista da satisfação e do prazer estético. Não consiste sua falha em superestimar o valor da beleza, mas em ignorar os outros valores fundamentais, sobretudo os morais.
      Tratar uma situação de um ponto de vista que não corresponde ao seu tema objetivo é sempre uma grande perversão. Por exemplo, é perverso que um homem trate de um drama humano que exige compaixão, simpatia e ajuda, como se fosse mero objeto de estudo psicológico. Fazer da análise científica o único ponto de vista em qualquer assunto é radicalmente antiobjetivo e até mesmo repulsivo; é desrespeitar e anular o tema objetivo. Além de ignorar qualquer ponto de vista que não seja o “estético” e qualquer outro tema que não seja o da beleza, o esteta também deforma a natureza real da beleza em sua profundidade e grandeza. Como já mostramos em outros livros, toda idolatria de um bem necessariamente exclui a compreensão de seu verdadeiro valor. A maior e mais autêntica apreciação de um bem somente é possível se o vemos em seu lugar objetivo na hierarquia dos seres, disposta por Deus.
      Se alguém se recusasse a ir à missa porque a igreja é feia e a música medíocre, seria culpado de esteticismo, pois estaria substituindo o ponto de vista estético ao ponto de vista religioso. Antítese do esteticismo é apreciar a elevada função da beleza na religião, é compreender o legítimo papel que lhe cabe desempenhar no culto e o desejo das pessoas religiosas em revestir de grande beleza tudo o que se refere ao culto divino. Esta apreciação justa da beleza é até um crescimento orgânico da reverência, do amor a Cristo, do ato mesmo de adoração.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O encontro do Papa com os coroinhas


    No dia 04 de Agosto o Papa Bento XVI teve um encontro com 65000 coroinhas de 17 paises da Europa.Este foi o seu primeiro encontro publico do Papa após suas férias nele podemos observar que apesar dos desafios que igreja na Europa a presença de tantos jovens que servem na Igreja especialmente na liturgia nos faz contemplar o futuro com mais esperança.
     Pelas fotos abaixo podemos contemplar a eterna juventude que Espírito Santo faz resplandecer na sua Igreja.

sábado, 7 de agosto de 2010

A Festa da Transfiguração do Senhor - A Missa

      No dia 06 de agosto, às 20h, na Paróquia São José em Goiânia, celebramos a Festa da Transfiguração do Senhor. A missa foi presidida por Monsenhor João Daiber e contou com a participação de alguns membros e amigos do Movimento.


      Veja abaixo algumas fotos:


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Festa da Transfiguração do Senhor - O Movimento

     O Movimento da Transfiguração nasce da experiência da revelação divina que é a transfiguração de Jesus no Monte Tabor. Nele, Jesus revela sua identidade de filho de Deus, por isso, o Movimento é um caminho pedagógico de conhecimento de sua pessoa que veio ao mundo para nos salvar.
      Assim, toda a espiritualidade do Movimento é um meio para que seus participantes tenham uma experiência com Cristo e esta possa transfigurar toda a sua vida. É na luz que emana do Tabor, que as trevas do mundo e das nossas vidas serão dispersas e, assim, poderemos ser pessoas “iluminadas” pela luz de Cristo, para iluminar o mundo.
      O Movimento da Transfiguração é um caminho para esse encontro, através da Leitura Orante da Bíblia pelo método da Lectio Divina, em grupo e pessoalmente, onde cada membro é convidado a, todos os dias, na sua casa, fazer essa experiência de leitura.
      Outro ponto fundamental no Movimento da Transfiguração é a Liturgia. É por isso que nas reuniões do Movimento nós somos introduzidos, através da Palavra, na simbologia litúrgica, nos possibilitando um encontro com Deus na pessoa de Jesus, que não é meramente um encontro intelectual, mas também afetivo e relacional. A liturgia, especialmente no calendário litúrgico, nos faz vivenciar a vida de Cristo nos seus vários momentos. É por isso que nos tempos litúrgicos fortes (Advento, Quaresma e Páscoa) as reuniões do Movimento são marcadas por um forte conteúdo bíblico-litúrgico.
      Por fim, a oração. As reuniões devem começar com um momento de oração (oração inicial) e esse mesmo espírito de oração deve perpassar a leitura, o comentário, a aplicação e a partilha, até a conclusão com a oração final. Esse espírito de oração deve estar também na nossa leitura bíblica pessoal e diária e na forma atenta e amorosa com que devemos participar da celebração Eucarística. Como conseqüência, esse espírito de oração deve, pouco a pouco, perpassar toda a nossa vida.
      Para conhecer mais sobre o Movimento da Transfiguração clique aqui

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Festa da Transfiguração do Senhor - Bento XVI

      O evangelho da Transfiguração do Senhor é lido duas vezes no ano, na liturgia da Igreja: no dia 06 de agosto, dia da Festa da Transfiguração; e no segundo domingo da quaresma de todos os anos. É no contexto do segundo domingo da quaresma que o Papa Bento XVI faz o  comentário abaixo. Que ele nos ajude a nos preparar para a Festa da Transfiguração:

      "Lucas não fala de transfiguração, mas descreve tudo o que aconteceu através de dois elementos: o rosto de Jesus que se transforma e sua vestimenta, que se torna branca e deslumbrante, na presença de Moisés e Elias, símbolos da Lei e dos Profetas.
      Os três discípulos que assistem à cena têm sono: é a atitude daquele que, ainda sendo espectador dos prodígios divinos, não compreende. Somente a luta contra o torpor que os assalta permite que Pedro, João e Tiago “vejam” a glória de Jesus. Então o ritmo se acelera: enquanto Moisés e Elias se separam do Mestre, Pedro fala e, enquanto está falando, uma nuvem cobre os discípulos com sua sombra; é uma nuvem que, enquanto os cobre, revela a glória de Deus, como aconteceu com o povo que peregrinava no deserto. Os olhos não podem mais ver, mas os ouvidos podem ouvir a voz que sai da nuvem: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!” (v. 35).
      Os discípulos já não estão frente a um rosto transfigurado, nem frente a uma vestimenta branca, nem frente a uma nuvem que revela a presença divina. Diante dos seus olhos, “Jesus encontrou-se sozinho”. (v. 36). Jesus está sozinho diante do Pai, enquanto reza, mas, ao mesmo tempo, “Jesus sozinho” é tudo o que é dado aos discípulos e à Igreja de todos os tempos: isso deve bastar no caminho. Ele é a única voz a ser escutada, o único a ser seguido, Ele que, saindo rumo a Jerusalém, dará a vida e um dia “Ele transformará o nosso pobre corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso” (Flp 3,21).
       “Mestre, é bom estarmos aqui” (Lc 9,33): esta é a expressão de êxtase de Pedro, que se parece frequentemente com o nosso desejo frente às consolações do Senhor. Mas a Transfiguração nos recorda que as alegrias semeadas por Deus na vida não são pontos de chegada, mas sim luzes que Ele nos dá na peregrinação terrena, para que somente Jesus seja a nossa Lei e sua Palavra seja o critério que guie a nossa existência
      Neste período quaresmal, convido todos a meditarem sobre o Evangelho de maneira assídua. Desejo, além disso, que neste Ano Sacerdotal, os pastores estejam realmente repletos da Palavra de Deus, que a conheçam de verdade, que a amem até o ponto de que ela realmente dê sua vida e sua forma ao seu pensamento (Homilia da Missa crismal, 9 de abril de 2009). Que Nossa Senhora nos ajude a viver intensamente nossos momentos de encontro com o Senhor, para que possamos segui-lo cada dia com alegria. A Ela dirigimos nosso olhar, invocando-a com a oração do Ângelus".



Fonte. Zenit

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Festa da Transfiguração no Oriente – 3ª parte

      Como mais essa postagem, continuamos nossa preparação para a grande Festa da Transfiguração do Senhor. Abaixo, encontram-se hinos que são cantados na Igreja Oriental, na Festa da Transfiguração do Senhor. Que possamos assim, ao rezar com esses hinos, sermos mergulhados nesta grande riqueza litúrgica, e experimentarmos o poder da transfiguração nas nossas vidas.

I
«Vinde, ó povos, segui-me;
subamos à montanha santa, rumo ao céu.
Fixemos espiritualmente a nossa morada
na cidade do Deus vivente
e contemplemos a divindade imaterial do Pai e do Espírito
que, em seu Filho único, resplandece.

Ó Cristo tu me atraíste
e transformaste com o teu divino amor;
queima, pois, os meus pecados
na chama do fogo imaterial
e enche-me de tuas delícias,
para que, exultante de alegria,
possa glorificar, ó Deus de bondade,
as tuas duas vindas».

Tu te transfiguraste, Cristo, no monte;
tua glória contemplaram os discípulos,
a fim de que, na cruz cravado ao ver-te,
pudessem compreender
que a Paixão era em ti voluntária
e ao mundo proclamassem
que tu és de verdade o esplendor do Pai.


II
Erguei-vos, preguiçosos,
não queirais à terra viver sempre apegados;
o vôo erguei até a altura,
rasteiros pensamentos de pecado
que minha alma amarrais ao terreno.

Corramos com Tiago, João e Pedro
e ao Tabor acorramos com presteza
para com eles ver de Deus a glória
e a voz escutar ouvida por eles
e na qual o Pai eterno confessaram».

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Festa da Transfiguração no Oriente – 2ª parte

      O Movimento da Transfiguração tem na sua identidade uma profunda influência da tradição da Igreja Oriental. Isto é percebido pela dimensão iconográfica, na maneira de perceber a liturgia e no processo pedagógico da conversão, seguindo o caminho da transfiguração do coração.
      Para melhor mergulhar na compreensão da Transfiguração do Senhor, segue abaixo um comentário de um sacerdote da Igreja Oriental sobre a Transfiguração:
       “Os evangelistas sinóticos – Mateus, Marcos, Lucas – narram o evento da Transfiguração de modo quase idêntico: Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João – os dois últimos são irmãos -, mais vezes companheiros seus privilegiados «porque eram mais perfeitos do que os outros», afirma S. João Crisóstomo; Pedro, porque amava a Jesus mais do que os outros, João porque era amado por Jesus mais do que os outros, e Tiago porque se unira na resposta do irmão: «Sim, podemos beber do teu cálice» (cf. Mt 20,22).
      Jesus os conduz à parte a uma “alta montanha”, lugar por excelência das manifestações divinas; dirá a Tradição: o monte Tabor. Ali ele aparece radiante de uma luz esplêndida que emana “tanto de seu rosto brilhante como o sol” como de suas vestes – obra do homem, da cultura humana – e se irradia pela natureza circunstante, como o mostram os ícones.
      Moisés – a lei – e Elias – os profetas – aparecem e conversam com Jesus. A primeira aliança aponta para a última. Lucas precisa que a conversa tem como tema o êxodo, a partida do Senhor. Pedro, em êxtase, sugere construir três tendas, na esperança de poder permanecer longamente naquele estado. Mas tudo está envolvido pela “nuvem luminosa” do Espírito, da qual ressoa no coração dos três discípulos agitados, prostrados com a face por terra, a voz do Pai: “Este é o meu Filho, o amado, escutai-o!”. Depois, tudo desaparece, e permanece Jesus, sozinho, que ordena aos três guardarem segredo a respeito do que tinham visto, “até que o Filho do homem ressuscitasse dos mortos”.
      A partir do fim das perseguições romanas contra os cristãos, no século IV, foram edificadas diversas igrejas no Tabor. Sua dedicação parece estar na origem da festa que, a partir do VI século, difundiu-se por todo o Oriente Médio. No calendário ocidental foi estavelmente introduzida em 1457, pelo papa Calixto III, como reconhecimento pela recente vitória contra os turcos. Os evangelhos não permitem fixar, no ritmo anual, uma data para a Transfiguração. Com a intuição cósmica que o caracteriza, o Oriente fixou a data de 6 de agosto, grande meio-dia do ano, apogeu da luz do verão. Nesse dia se abençoam os frutos da estação; muitas vezes, nos países da bacia do Mediterrâneo, é a uva o fruto por excelência abençoado. O Ocidente, menos sensível ao alcance espiritual do acontecimento, mesmo conservando a festa da Transfiguração em 6 de agosto, preferiu acrescentar uma segunda celebração antes da Páscoa, no segundo Domingo da Quaresma, de tal modo seguindo mais de perto a cronologia da vida de Jesus.
      No Oriente, a festa põe o acento na divindade de Cristo e no caráter trinitário de seu esplendor. “Conversando com Cristo, Moisés e Elias revelam que ele é o Senhor dos vivos e dos mortos, o Deus que tinha falado na lei e nos profetas; e a voz do Pai, que sai da nuvem luminosa, “dá-lhe testemunho”, recita a liturgia bizantina.
      Contudo, a Transfiguração não é um triunfo terreno, que Jesus sempre rejeitou em sua vida – e aqui está o erro de leitura de Calixto III; nem mesmo é uma emoção espiritual para degustar – eis o erro de Pedro. É um lampejo, um esplendor daquele Reino que é o próprio Cristo, uma luz que é também a da Páscoa, do Pentecostes, da parusia quando, com o retorno glorioso de Cristo, o mundo inteiro será transfigurado.
      Moisés e Elias, já o dissemos, falam com Jesus a respeito de sua partida, de sua paixão: apenas esta última fará resplandecer a luz, não no cume do Tabor, a montanha que simbolicamente representa as teofanias e os êxtases, mas no próprio coração dos sofrimentos dos homens, de seu inferno e, enfim, de sua morte. A liturgia ainda nos ajuda a entender: “Ouvi – diz o Pai – aquele que através da cruz esvaziou o inferno e dá aos mortos a vida sem fim”.
      Para a teologia ortodoxa, a luz da Transfiguração é a energia divina (de acordo com o vocabulário precisado no séc. XIV por Gregório Palamas), isto é, o resplandecer de Deus: o mesmo Deus que, enquanto permanece inacessível na sua “supra-essência”, se torna participável aos homens por uma loucura de amor. Daqui a compreensão da importância desta festa para a tradição mística e iconográfica.
      O resplandecer, o esplendor divino é tal que joga por terra, na montanha, os apóstolos. Mesmo assim, no Tabor ele permanece uma luz externa ao homem. Ora, ela nos é doada – como centelha imperceptível ou rio de fogo – no pão e no vinho eucarísticos. Então nossos olhos se abrem e nós compreendemos que o mundo inteiro está impregnado dessa luz: todas as religiões, todas as intuições da arte e do amor o sabem, mas foi necessário que viesse o Cristo e que nele acontecesse aquela imensa metamorfose – assim os gregos denominam a Transfiguração – para que enfim se revelasse que, à nascente dos veios de fogo, de paz e de beleza presentes na história, existe, vencedor da noite e da morte, um Rosto.

domingo, 1 de agosto de 2010

Festa da Transfiguração – no oriente (1ª parte)

     
      A Festa da Transfiguração no oriente bizantino, também é celebrada no dia 6 de agosto. É uma das doze festas da liturgia bizantina. Vejamos abaixo um comentário do ícone da Transfiguração, como é visto na tradição oriental:
      “O ícone da Transfiguração fica exposto, no meio da igreja, à veneração dos fiéis, desde a tarde do dia 5 de agosto até 13 do mesmo mês. O complexo pictórico resume bem o conjunto da festa conforme o esquema que nos foi transmitido por séculos. Ao centro domina a figura do Cristo em vestes brancas. Raios de luz se desprendem da sua pessoa e se espalham em todas as direções rumo à extremidade de um círculo, símbolo da verdade.
      Ele está no alto de um monte e aos lados, sobre dois picos rochosos, admiramos as figuras de Moisés e Elias, ligeiramente inclinados para o Salvador, com o qual conversam, representantes respectivamente da Lei e dos Profetas, que têm na pessoa do Salvador o seu cumprimento. Embaixo, a cena é mais movimentada e apresenta figuras do Novo Testamento: os três discípulos escolhidos para subir ao monte estão em atitude de grande espanto. À direita (de quem olha), Pedro, de joelhos, com uma das mãos se apóia no chão e com a outra aponta para o divino fulgor que observa de esguelha. Tiago e João estão caídos no chão e cobrem os olhos ofuscados pela luminosa teofania. A fraqueza humana perante o evento excepcional, por contraste, ressalta a paz transcendente e a divina segurança de Jesus, centro de tudo.
      A tradição oriental reconhece na Transfiguração uma nova manifestação trinitária após a ocorrida no batismo de Jesus, porque no Tabor ‘a voz do Pai dá testemunho, o Espírito ilumina e o Filho recebe e manifesta a palavra e a luz’ ”.
Texto retirado do site: http://www.ecclesia.com.br/