sexta-feira, 29 de abril de 2011

João Paulo II: Caixão trasladado para junto do túmulo de São Pedro

Cidade do Vaticano, 29 abr 2011 (Ecclesia) – O caixão de João Paulo II foi hoje retirado do seu túmulo e colocado junto ao de São Pedro, primeiro Papa da Igreja Católica, onde vai ficar até à manhã de domingo, anunciou o porta- voz do Vaticano.
Em conferência de imprensa, o padre Federico Lombardi referiu que os trabalhos “começaram esta manhã, por parte do pessoal da fábrica de São Pedro”, com a retirada da lápide de mármore, conservada intacta, a qual seguirá para Cracóvia, na Polónia, para ser colocada numa nova igreja, dedicada ao futuro beato.
Segundo o Vaticano, o caixão de Karol Wojtyla (1920-2005) permanecerá no piso inferior da basílica de São Pedro até ao final do rito de beatificação, sendo depois colocada à “veneração dos fiéis” em frente ao altar principal deste espaço.
Lombardi estimou que a trasladação definitiva para a capela de São Sebastião, onde o túmulo do beato João Paulo II irá ficar, tenha lugar no final da tarde da próxima segunda-feira, de forma privada, com a basílica fechada.
Marie Simon-Pierre, que sofria da doença de Parkinson.
Esta capela fica localizada na nave da basílica do Vaticano, junto da famosa 'Pietà' de Miguel Ângelo.
Na breve cerimónia desta manhã participaram, entre outros, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, e o secretário particular de João Paulo II, cardeal Stanislaw Dziwisz.
No caixão, além da cruz e das armas do pontificado, está uma inscrição em latim identificando João Paulo II, com uma breve síntese da sua vida, incluindo datas de nascimento e de morte, para além da duração do seu pontificado.
O programa completo das celebrações ligadas à beatificação inicia-se a 30 de abril com uma vigília ao ar livre, no Circo Máximo de Roma, momento em que haverá uma ligação em direto a cinco locais de culto dedicados à Virgem Maria, em todo o mundo, incluindo o santuário de Fátima.
A missa da beatificação decorre na praça de São Pedro, a partir das 10:00  podendo os fiéis entrar, livremente, a partir das 05:00.
A beatificação foi anunciada a 14 de janeiro, depois da publicação do decreto que comprovava um milagre atribuído à intercessão de João Paulo II, Karol Wojtyla (1920-2005), relativo à cura da religiosa francesa

Os caminhos da beatificação de João Paulo II


O vaticanista italiano do jornal La Stampa, Andrea Tornielli, afirma que no ano 2005 o Papa Bento XVI considerou, mas finalmente decidiu não optar pela canonização imediata de João Paulo II.
Em um artigo publicado hoje, Tornielli escreve que "o Papa Ratzinger não decidiu imediatamente. Conhecia bem seu predecessor e não tinha dúvidas sobre sua santidade pessoal. Quis consultar alguns colaboradores e ao final decidiu derrogar a espera de cinco anos (antes de abrir a causa), mas não por isso evitar a beatificação".
O vaticanista comenta ademais que a sugestão da canonização imediata foi feita pelo Cardeal Stanislaw Dziwisz, atual Arcebispo de Cracóvia (Polônia) e que foi secretário pessoal de João Paulo II por mais de 40 anos.
Ele indica também que a proposta para não esperar os cinco anos, depois da morte, que indica a norma para abrir uma causa, foi feita pelo Cardeal eslovaco Jozef Tomko, amigo pessoal do Papa João Paulo II e Prefeito Emérito da Congregação para a Evangelização dos Povos.
Na opinião de Tornielli, os cardeais da cúria romana tinham acolhido o clamor de centenas de milhares de fiéis que durante os funerais do Papa polonês tinham repetido incessantemente: "Santo sùbito!" (Santo já!) 
Três anos antes destes acontecimentos, em junho de 2003, uma discussão similar ocorreu no Vaticano pelo caso da Madre Teresa de Calcutá. O então Secretário de estado Vaticano, Cardeal Angelo Sodano, tinha consultado por escrito em nome de João Paulo II a alguns cardeais da cúria romana para pedir-lhes sua opinião quanto à canonização imediata da religiosa e assim proclamá-la santa. 
A idéia, diz Tornielli, "não desgostava o Papa Wojtyla, mas não se concretizou porque ele optou por ter em conta as objeções dos colaboradores consultados". Assim a Madre Teresa foi beatificada em outubro desse ano e sua causa de canonização segue atualmente seu curso.
O Papa Bento XVI beatificará o Servo de Deus João Paulo II no domingo 1º de maio na Praça de São Pedro em Roma, um acontecimento histórico já que será a primeira vez em mais de 10 séculos que um Pontífice eleva aos altares seu predecessor imediato.

Por ACI Digital

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dons do Espírito Santo III – O Dom da Fortaleza

"Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência, por aquilo que ele sofreu. Mas, quando levou a termo sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem." (Hb 5,8-9)

O dom da fortaleza é uma forma de partilhar daquela força que fez Jesus subir a Jerusalém e lá tomar sua cruz e dar sua vida por nós. Esta força é completamente despida de violência e cheia de ternura.
O dom da fortaleza une, em nós, duas virtudes que na natureza humana andam separadas: a virtude da força para realizar o que nos é proposto – que nos faz passar por cima de qualquer coisa para atingirmos nosso objetivo – e a virtude da doçura e bondade, que é aquela que nos faz ter atenção e cuidado com todos aqueles que convivemos. Na nossa experiência diária essas duas virtudes estão bem separadas. As pessoas fortes, decididas e empreendedoras tendem a ser pouco sensíveis em relação àqueles que estão no seu caminho, justamente para cumprir suas metas. E as pessoas amáveis e atenciosas com os outros tendem a ter mais dificuldade de usar a força no momento necessário e, consequentemente, têm dificuldades de atingir seus objetivos.
O dom da fortaleza nos unifica interiormente para que a força e a ternura operem com a intensidade que cada situação necessita. Desta forma, podemos realizar com precisão e eficácia a vontade de Deus na nossa vida.
Outra característica do dom da fortaleza é que ele nos possibilita passar pelos momentos difíceis e sofridos sem abatimento, ao contrário, com coragem e determinação; e mais ainda, sem guardar ressentimentos das pessoas e dos acontecimentos, e sim vendo nisso uma oportunidade de unir-se a Jesus na sua paixão. Tudo isso com paz no coração e ternura nas atitudes.

Um grande santo – São João da Cruz, místico e doutor da Igreja – tinha esse dom de forma admirável. Um homem de vida muito penitente e que sofreu grandes perseguições, inclusive ser preso e chicoteado injustamente semanalmente, sem, com isso, perder a paz e a doçura nas suas palavras e atitudes. Vejamos o que ele diz sobre a busca da fortaleza: “procure sempre inclinar-se não ao mais fácil, senão ao mais difícil. Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido. Não ao mais agradável, senão ao mais desagradável. Não ao descanso, senão ao trabalho...abrace de coração essas práticas, procurando acostumar a vontade a elas. Porque, se de coração as exercitar, em pouco tempo achará nelas grande deleite e consolo, procedendo com ordem e descrição”.
Este mesmo santo nos revela outra característica do dom da fortaleza, quando diz: “uma alma apaixonada por Deus é suave, mansa, humilde e paciente”.
O dom da fortaleza deve ser pedido insistentemente na oração. E, aliado a este pedido, devemos exercitar a virtude da perseverança, para que a nossa natureza se disponha a receber este dom. Devemos ter perseverança nos nossos bons propósitos, na nossa vida de oração, no amor fraterno e na penitência. Este exercício deve ser desde as pequenas coisas, como por exemplo a leitura de um livro, até as grandes, como a perseverança num casamento. O fundamental é nunca deixar algo pela metade. Mesmo com sacrifícios, devemos levar a bom termo tudo que iniciamos, sem jamais desistir.
A virtude da perseverança nos preserva de atitudes infantis, que são, fundamentalmente, fazer só o que gostamos, para, assim, como pessoas maduras, nos exercitarmos em fazer aquilo que é preciso e o que é melhor para nós e para os outros.

Para ler as postagens sobre outros dons do Espírito Santo, clique aqui.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

900 Anglicanos entram na Igreja na Páscoa.

- Cerca de 900 Anglicanos, incluindo 61 padres estão entrando na Igreja Católica nesta Páscoa como membros do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham nesta Páscoa.
O ordinariato pessoal é uma nova estrutura eclesiástica, estabelecida pelo Papa Bento com a sua constituição apostólica Anglicanorum Coetibus como meio de dar as boas vindas aqueles anglicanos que desejaram entrar na Igreja Católica. O ordinariato permite que as comunidades anglicanas mantenham suas tradições litúrgicas e pastorais distintas, estando ao mesmo tempo em plena comunhão com a Santa Sé.

fonte:Catholic Culture
Tradução Frates in Unum

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Cânticos em latim X - Regina Caeli

video

Unamo-nos a nossa Senhora na sua alegria pela ressurreição do seu filho, através desta antífona própria do tempo Pascal.
Tradução:
Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia,
pois o Senhor que merecestes trazer em vosso seio, aleluia,
ressuscitou, como disse, aleluia;
rogai a Deus por nós, aleluia!

domingo, 24 de abril de 2011

FELIZ PÁSCOA!


“O anjo disse às mulheres: não temais. Sei que buscais a Jesus, o crucificado. Não está aqui; ressuscitou como havia dito.” (Mt 28,5-6)

O anjo faz o grande anúncio às mulheres que foram ao túmulo de Jesus, na madrugada do domingo. A elas ele diz que Cristo ressuscitou! A ressurreição de Cristo é a vitória sobre o demônio, o pecado, o mal e, por fim, o último inimigo: a morte. Assim, depois de grandes batalhas contra todos esses inimigos, sua vitória foi proclamada solenemente pelo anjo: CRISTO RESSUSCITOU!
Mas o fato de Cristo ter ressuscitado não é o fato mais surpreendente, já que, sendo Deus, a morte não podia detê-lo. O fato mais surpreendente consiste em que, além de ter morrido por nós, ele ressuscitou por nós.
Assim, nós ressuscitamos com Cristo; somos participantes de sua vitória! Esta é nossa grande alegria pascal: Cristo partilha conosco sua vitória sobre o demônio, o pecado, o mal e a morte. Por isso, hoje celebramos a ressurreição de Cristo e também a nossa ressurreição. Somos homens e mulheres ressuscitados.
Neste dia de alegria e vitória de Cristo – e que, por causa do seu infinito amor, também é nossa vitória – desejo a todos uma FELIZ PÁSCOA!

Cesar Augusto e Marjorie
Movimento da Transfiguração

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sexta-feira Santa

Continuando nossa série de meditações sobre o Tríduo Pascal, nos centralizaremos na ação litúrgica da Paixão de Cristo – não é uma Celebração Eucarística porque não há consagração, e a comunhão é com as partículas consagradas na Celebração da noite anterior. A Celebração da Palavra começa logo após a procissão de entrada e tem como centro a solene proclamação da Paixão de Jesus Cristo segundo o evangelho de São João. Este evangelho é lido de uma forma especial: com vários leitores e com a participação de toda assembléia, nos fazendo participantes deste momento central da historia da salvação. Assim, somos introduzidos pela força da Palavra de Deus a vivenciar, juntos com Jesus, sua paixão e morte pelos nossos pecados.
Com a ajuda de Nicola Box, professor de Liturgia Oriental e consultor de diversos dicastérios da Santa Sé, mergulhemos em mais detalhes da celebração da Paixão de Cristo: “Na Sexta-Feira Santa in Passione Domini, o sacerdote é convidado a subir ao Calvário. Às três da tarde, às vezes um pouco mais tarde, acontece a celebração da Paixão do Senhor, em três momentos: a Palavra, a Cruz e a Comunhão. Dirige-se em procissão e em silêncio ao altar. Depois de ter reverenciado o altar, que representa Cristo na austera nudez do Calvário, ele se prostra em terra: é a proskýnesis, como no dia da ordenação. Assim, expressa a convicção do seu nada diante da Majestade divina, e o arrependimento por ter se atrevido a medir-se, por meio do pecado, com o Onipotente. Como o Filho que se anulou, o sacerdote reconhece seu nada e assim tem início sua mediação sacerdotal entre Deus e o povo, que culmina na oração universal solene.
Depois se faz a ostensão e a adoração da Santa Cruz: o sacerdote se dirige ao altar com os diáconos e lá, em pé, ele a recebe e a descobre em três momentos sucessivos – ou a mostra já descoberta – e convida os fiéis à adoração, em cada momento, com as palavras: Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Em sua descarnada solenidade, aqui, no coração do ano litúrgico, a tradição resistiu tenazmente mais que em outros momentos do ano.
O sacerdote, após ter depositado a casula, se possível descalço, aproxima-se primeiramente da Cruz, ajoelha-se diante dela e a beija. A teologia católica não teme em dar aqui à palavra “adoração” seu verdadeiro significado. A verdadeira Cruz, banhada com o sangue do Redentor, torna-se, por assim dizer, uma só coisa com Cristo e recebe a adoração. Por isso, prostrando-nos diante do lenho sagrado, nós nos dirigimos ao Senhor: ‘Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz redimistes o mundo’ ”.
Que mais esta meditação nos ajude a vivenciar o Tríduo Pascal com maior profundidade e piedade, e assim a nossa vida possa ser renovada e transfigurada em Cristo, nesta Páscoa.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quinta-feira Santa

Com essa postagem damos o início a uma série de meditações sobre o tríduo pascal, para nos ajudar a mergulhar nos grandes mistérios que se revelam através dos ritos celebrados. Nos centralizaremos na celebração da quinta a noite, o lava pés, depois, na celebração da Paixão do Senhor, e por fim, na Vigília Pascal.
Para nos ajudar a mergulhar, vejamos a importância dos símbolos na liturgia como um caminho privilegiado de experiência com Deus. Vejamos um dos textos do Movimento da Transfiguração: “a Liturgia é uma forma pedagógica de termos um encontro com Deus e crescermos na nossa fé. É por isso que a Liturgia é toda repleta de símbolos, desde a construção da Igreja (edifício) até a forma de vestimenta do Sacerdote, tudo é uma linguagem simbólica que nos remete a Cristo e ao seu mistério. O espaço sagrado, com suas formas próprias, como: o átrio (espaço de ligação entre o que está fora da Igreja e o que está dentro), a nave (espaço em que fica a assembléia) e o presbitério (espaço onde ficam o altar e tudo o que o cerca), a capela do Santíssimo, as pinturas, as imagens, nos fazem mergulhar num mundo de símbolos e, dentro deste sentido, está a forma como o Sacerdote se veste, as cores e toda a forma do rito de celebração de todos os sacramentos. Todos eles são marcados por gestos que são simbólicos, como: ficar de pé, ajoelhar, aspergir água, as procissões e tudo o mais são símbolos que nos remetem a Cristo.”
Deteremos-nos agora de forma mais específica na Quinta-Feira Santa, acompanhando a meditação de Nicola Box, professor de Liturgia Oriental e consultor de diversos dicastérios da Santa Sé:
“Com a Missa in Cena Domini, da Quinta-Feira Santa, o sacerdote entra nos principais mistérios – a instituição da Santíssima Eucaristia e do sacerdócio ministerial –, assim como do mandamento do amor fraterno, representado pelo lavatório dos pés, gesto que a liturgia copta realiza ordinariamente cada domingo. Nada melhor para expressá-lo que o canto do Ubi caritas. Após a comunhão, o sacerdote, usando o véu umeral, sobre o altar, faz a genuflexão e, ajudado pelo diácono, segura a píxide (ambula) com as mãos cobertas pelo véu umeral. É o símbolo da necessidade de mãos e corações puros para aproximar-se dos mistérios divinos e tocar o Senhor!”
Desejo que esta meditação possa nos ajudar a vivenciar de forma mais intensa e piedosa o tríduo pascal, onde celebramos os mistérios centrais da nossa fé.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Quarta-feira santa – Mt 26,14-25

Neste último dia que antecede o início do tríduo Pascal – que tem início amanhã, quinta-feira santa – o evangelho narra a traição de Judas, conforme o evangelista Mateus. Na terça-feira santa já tinha sido narrado esse mesmo fato pelo evangelista João.
Isso demonstra como, para a Igreja, a traição de um dos doze tem um significado muito importante. Judas, que foi escolhido por Jesus, conviveu com ele durante três anos, vendo seus milagres, escutando suas palavras, observando seu testemunho, mesmo assim o traiu.
A consequência deste fato é que ninguém pode sentir-se plenamente “seguro” no seu seguimento a Jesus. Isto deve nos fazer reconhecer que a força do mal e do pecado está no nosso coração e que carregaremos esta tendência até o momento da nossa morte. Por isso, neste dia, de forma especial, escutemos as palavras de Jesus, que diz: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”.
Concluímos nossa meditação, com a oração do dia: “Ó Deus, que fizestes vosso filho padecer o suplício da cruz para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos vossos servos e servas a graça da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Segunda-feira da Semana Santa - Jo 12,1-11

A ceia em Betânia é marcada pela intimidade e a amizade. É, talvez, o último momento tranquilo de Jesus antes de sua paixão e dos dias bastante agitados em Jerusalém. Jerusalém, em períodos de festa como a Páscoa, chegava a receber entre 50 e 80 mil peregrinos; e tinha cerca de 50 mil habitantes. Por isso era uma agitação geral. Porém, o coração de Jesus estava agitado por outro motivo: percebia que sua hora havia chegado.
Neste momento de intimidade e amizade, na ceia, parece que Maria percebe a profunda comoção do coração de Jesus. Isso nós vemos pelas próprias palavras de Jesus: “deixai, o que ela faz é em vista a minha sepultura”. Os gestos de Maria em relação a Jesus são bastante exagerados. Parece que no coração dela havia uma percepção profunda de uma grande despedida. Por isso ela não economiza em nada, vejamos: “Maria, então, tomando meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos. A casa inteira encheu-se do aroma do perfume”.
Outro personagem central do texto é o de Judas que, ao ver os gestos carregados de afeto e o valor do perfume que estava sendo derramado por Maria em Jesus, comenta com um raciocínio frio, que na verdade encobria seus reais motivos: “Falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas, porque era ladrão: ele guardava a bolsa e roubava o que nela se depositava”. A resposta de Jesus a essa forma racionalista – e, no fundo, interesseira – é que a atitude de Maria é um gesto de amor, que já antecipa o momento da sua morte, onde ele será ungido como todo judeu, para ser sepultado.
A segunda parte da resposta de Jesus ao questionamento de Judas é: “Os pobres, sempre os tendes convosco. A mim, no entanto, nem sempre tereis.” Revela que, aquilo que é gasto com Jesus na sua Igreja – que é seu corpo, especialmente na liturgia – não é um desperdício, e sim uma forma justa de honrá-lo.
Que nesta segunda-feira da Semana Santa, o exemplo de Maria, que percebeu o sofrimento no coração de Jesus que via que sua hora estava chegando, nos ajude a mergulhar neste tempo, em união profunda com Jesus.

domingo, 17 de abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Visita a Ascep - Quaresma 2011

Hoje, dia 16 de abril de 2011, nós, do Movimento da Transfiguração de Goiânia, como um dos exercícios da Quaresma que é o amor fraterno, fizemos uma visita a Ascep (Associação de serviço a criança excepcional de Goiânia). Foi uma experiência riquíssima! Tivemos a oportunidade  conviver um pouco com pessoas que são portadoras de necessidades especiais. E também uma forma de obedecer àquilo que Jesus diz no evangelho: "Estive enfermo e fostes me visitar".




















‘Ad multos annos’

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Hoje, dia 16 de abril de 2011, o Papa Bento XVI completa 84 anos de vida. Uma vida toda dedicada a Deus e a sua Igreja. Esta postagem é uma simples homenagem e, principalmente, uma oração, para que Deus lhe dê sua graça e força para governar a Igreja e, devido a sua idade, lhe conceda muita saúde para exercer o seu pastoreio.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Domingo de Ramos

No Domingo de Ramos são feitas duas proclamações do evangelho: a primeira é a do evangelho da Entrada de Jesus em Jerusalém, no inicio da procissão de ramos; e a segunda, é a da paixão de Cristo segundo Mateus (já que estamos no ano A). Desta forma, nós somos introduzidos no período da Semana Santa. A Paixão de Cristo será de novo proclamada na Sexta-feira Santa, mas será a do evangelho de João, pois este se repete todos os anos nesse mesmo dia.
Com o Domingo de Ramos entramos na Semana Santa, que terá o seu “coração” no Tríduo Pascal, onde celebraremos a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Esse “coração”, que é o Tríduo Pascal, tem um conteúdo fundamental: o grande amor de Deus por nós! Como nos é revelado no evangelho de João:
“Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
A entrada de Jesus montado num jumento faz lembrar a entrada de Salomão na cerimônia de sua coroação (I Rs 1, 33-48). Ele foi o filho que sucedeu Davi na realeza. Isso nos mostra toda a ligação da promessa feita por Deus de que um filho de Davi reinaria para sempre e isso é percebido pelo povo que aclama Jesus, dizendo: “Hosana ao Filho de Davi”.
O jumento, diferente do cavalo que era um animal usado na guerra, era um animal usado em tempos de paz para o uso das coisas cotidianas. Assim, Jesus é o rei messias que veio salvar o seu povo. Mas ele não é um rei que agirá pela força da violência para implementar o seu reino, pelo contrário, é pelo amor e pela humildade. Na cruz ele revelará sua forma de vencer o mal.
A aclamação de Jesus como messias na sua entrada em Jerusalém é acompanhada de um tipo de saudação: “Hosana”, que no original hebraico tinha um sentido de grito de socorro, poderíamos traduzir por: “salvai-nos”. Essa saudação era usada nas entradas dos reis, especialmente no contexto do sétimo e último dia da Festa das Tendas.
Depois, na liturgia cristã, é que palavra “Hosana” tomou o sentido que usamos, que é uma aclamação jubilosa àquele que é o messias. É especialmente desta maneira que hoje a Igreja celebra o Domingo de Ramos.
Que nesta Semana Santa, cada um de nós possa se abrir para acolher o grande amor de Deus. Este acolhimento se dá na medida em que acompanhamos Jesus no seu caminho para o calvário, em espírito de fé e humildade, usando os meios: da liturgia, da Palavra de Deus e da oração. Que esses atos sejam, nesses dias, meios práticos de nos abrir ao amor de Deus

O que é a santidade? Bento XVI responde


Queridos irmãos e irmãs:


Nas audiências gerais dos últimos dois anos, estivemos na companhia de muitos santos e santas: aprendemos a conhecê-los de perto e a entender que toda a história da Igreja está marcada por esses homens e mulheres que, com sua fé, seu amor, sua vida, foram luzes de muitas gerações, e são também para nós. Os santos manifestam de muitas maneiras a presença poderosa e transformadora do Ressuscitado; deixaram que Cristo possuísse tão plenamente suas vidas, que podiam afirmar, como São Paulo, "Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim" (Gl 2,20). Seguir seu exemplo, recorrer à sua intercessão, entrar em comunhão com eles "nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e cabeça, toda a graça e a própria vida do Povo de Deus" (‘Lumen Gentium', 50). No final deste ciclo de catequeses, eu gostaria de oferecer algumas ideias sobre o que é a santidade.

Para ler esse texto completo, clique aqui.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Paramentos Litúrgicos -6ª parte -A Mitra


Mitra é uma Insígnia Episcopal, usada à cabeça possui a forma de dois pentágonos unidos, munida de duas faixas na parte de trás: as ínfulas. São insígnias pontificais: mitra, báculo, anel, cruz peitoral e pálio
A mitra, segundo o cerimonial dos bispos, é usada “quando está sentado; quando faz a homilia; quando faz as sauda¬ções, as alocuções e os avisos; quando abençoa solenemente o povo; quando executa gestos sacramentais; quando vai nas procissões.”

Este paramento, em seu conjunto, simboliza um capacete de defesa que deve tornar o prelado terrível aos adversários da verdade. Lembra a descida do Espírito Santo sobre as cabeças dos Apóstolos, de quem os Bispos são legítimos sucessores. Por isso, no Rito Romano, apenas aos Bispos, salvo por especial delegação, cabe presidir ao Sacramento do Crisma ou Confirmação.
O fato de a Mitra possuir duas pontas tem um significado todo especial. Moisés, depois de receber as tábuas da Lei no Monte Sinai, desceu com aqueles dois resplendores celestiais que Deus pôs em seu rosto e lhe subiam pela cabeça. Também podem simbolizar os dois Testamentos: o Antigo (parte posterior) e o Novo (parte anterior), que o Bispo deve conhecer perfeitamente para iluminar os fiéis a ele confiados com sua doutrina e resplendor. Elas figuram ainda os dois preceitos, com os quais a Igreja deve governar: o amor de Deus e do próximo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Novo Blog - Paróquia Missionária


Gostaria de apresentar a vocês o blog de um grande amigo meu, Pe. Emílio Cesar, que faz parte da Arquidiocese de Fortaleza e atualmente é pároco da Paróquia Jesus, Maria e José na cidade de Guaiúba/CE. 
Ele criou um blog, chamado "Paróquia Missionária", para partilhar o projeto que está colocando em prática na paróquia de Guaiúba/CE. 
Vale a pena você acompanhar!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fotos do retiro do Movimento em Fortaleza

Seguem abaixo fotos do retiro do Movimento da Transfiguração que aconteceu em Fortaleza, neste último final de semana (8, 9 e 10 de abril).





sábado, 9 de abril de 2011

Santa Teresinha por Bento XVI




Abaixo segue a Catequese de Bento XVI sobre Santa Teresinha do Menino Jesus. Ele faz um resumo de toda sua história, fazendo uma síntese muito bem elaborada, como é próprio de Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje eu gostaria de vos falar de Santa Teresa de Lisieux, Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, que viveu neste mundo apenas 24 anos, no final do século XIX, levando uma vida simples e oculta, mas que depois de sua morte e da publicação dos seus escritos, tornou-se uma das santas mais conhecidas e amadas. A "pequena Teresa" não deixou de ajudar as almas mais simples, os pequenos, os pobres, os que sofrem e os que rezam a ela, mas também iluminou toda a Igreja, com sua profunda doutrina espiritual, tanto assim que o Venerável João Paulo II, em 1997, quis dar-lhe o título de Doutora da Igreja, acrescentando o título de Padroeira das Missões, dado por Pio XI, em 1939. Meu querido predecessor a definiu como uma "especialista na ‘scientia amoris'" (‘Novo Millennio ineunte', 27). Esta ciência, que vê brilhar no amor toda a verdade da fé, Teresa a expressa principalmente no relato da sua vida, publicado um ano após a sua morte com o título de "História de uma alma". É um livro que foi de imediato um enorme sucesso; foi traduzido para muitas línguas e distribuído em todo o mundo. Eu gostaria de convidar-vos a redescobrir este pequeno-grande tesouro, este luminoso comentário do Evangelho plenamente vivido! "História de uma alma", de fato, é uma maravilhosa história de amor, contada com tal autenticidade, simplicidade e frescor, que o leitor não pode deixar de ficar fascinado! No entanto, qual é esse amor que preencheu a vida de Teresa, desde a infância até sua morte? Queridos amigos, este amor tem um rosto, tem um nome, é Jesus! A santa fala continuamente de Jesus. Percorramos, então, as grandes etapas de sua vida, para entrar no coração de sua doutrina.
Teresa nasceu em 2 de janeiro de 1873, em Alençon, uma cidade da Normandia, na França. Foi a última filha de Louis e Zelie Martin, esposos e pais exemplares, beatificado os dois em 19 de outubro de 2008. Eles tiveram 9 filhos, dos quais 4 morreram na infância. Restaram 5 filhas, que se tornaram todas religiosas. Teresa, aos 4 anos, foi profundamente afetada pela morte de sua mãe (Ms A, 13r). O pai, com as filhas, mudou-se então para a cidade de Lisieux, onde se desenvolveu toda a vida da santa. Mais tarde, Teresa, sofrendo uma doença nervosa grave, curou-se devido a uma graça divina, que ela definiu como "o sorriso de Nossa Senhora" (ibid., 29v-30v). Recebeu a Primeira Comunhão, vivida intensamente (ibid., 35r), e colocou Jesus Eucaristia no centro da sua existência.

Para ler este texto completo, clique aqui.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Audiências com os Bispos


Esses dias, nos quais estou viajando para as cidades de Natal e Fortaleza para a realização dos retiros do Movimento da Transfiguração,  têm sido também oportunidades para ter encontros com os Bispos e padres destas cidades. De forma especial, desejo falar nesta postagem, sobre as audiências com os Bispos.
A minha primeira audiência foi com o Arcebispo de Natal, Dom Matias, na segunda-feira (4 de abril). Na oportunidade, conversamos sobre o Movimento da Transfiguração, sua identidade e missão, bem como sua presença na Arquidiocese de Natal.


A segunda audiência foi com o Dom José Luis, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza,  na quinta-feira (7 de abril), quando tive o oportunidade de também apresentar o Movimento e partilhar um pouco nossa caminhada na Arquidiocese, já que o Movimento tem um tempo maior de presença nesta cidade.

Nestas duas oportunidades, pude reafirmar o nosso desejo de nos colocar a serviço da Igreja local, em união com os seus pastores, para colaborar na grande missão da igreja de anunciar Jesus.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quinto domingo da Quaresma - ano A


O evangelho do quinto domingo é da narração da ressurreição de Lazaro. O texto da ressurreição de Lázaro sempre foi compreendido na Igreja como preparação para os catecúmenos (adultos que se preparavam para receber o batismo na Vigília Pascal). É segundo essa compreensão que a Igreja coloca junto com o nosso texto de hoje, o texto da Samaritana (Jo 4) e do Cego de nascença, que são, respectivamente, os textos proclamados no terceiro e quarto domingo da Quaresma.
O tema do Batismo, no texto da ressurreição de Lázaro, está especialmente ligado ao tema da morte e da vida, isto fica explícito quando Tomé, ao perceber que retornar para a Judéia os colocaria em risco de morte, diz: “vamos também nós, para morrer com ele”. Morrer com Jesus é, pois, uma expressão batismal usada desde o inicio da Igreja. Como diz São Paulo: “Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele” Rom 6,8. E, assim, Lázaro se torna um modelo do catecúmeno, aquele que morre e ressuscita com Cristo.
A ressurreição de Lázaro, no evangelho de João, faz o mesmo papel da Transfiguração nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). Nos sinóticos, a Transfiguração tem o papel pedagógico de fazer com que os discípulos acreditem que a morte não terá a última palavra sobre Jesus. Isso foi importante para que eles não se desesperassem diante da paixão de Jesus.
No nosso texto de hoje, os discípulos vêem o milagre que revela que Jesus é mais forte do que a morte. Isso já sinaliza para os discípulos que a morte não terá a última palavra sobre Jesus, e ele mesmo diz: “eu sou a ressurreição e a vida”. O milagre da ressurreição de Lázaro é uma forma pública de o Pai confirmar a autoridade de Jesus, como podemos ver na oração onde Jesus diz: “Pai, eu te dou graças por me teres atendido. Por certo, eu bem sabia que tu me atendes sempre, mas falei por causa desta multidão que me cerca, a fim de que eles creiam que tu me enviaste.”
Na Transfiguração o Pai diz: “este é meu Filho muito amado, ouvi-o”. No nosso texto vemos, na prática, a força da Palavra de Jesus: “tendo dito isso, exclamou com voz forte: ‘Lázaro, vem para fora!’ ”. É o poder da Palavra de Jesus que retira Lázaro da morte. Essa passagem também nos faz lembrar quando Jesus nos diz: “as ovelhas escutam a sua voz, ele chama a cada uma pelo nome e as leva para fora” (Jo 10,10).
Precisamos perceber os sinais de morte que estão presentes na nossa vida, como: falta de fé, egoísmo, sensualismo e tudo que nos impede de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo”. Na medida em que apresentarmos a Deus estes sinais de morte e nos empenharmos para vencê-los através dos meios que, através de sua Igreja, Deus nos propõe, escutaremos de Cristo ressuscitado a palavra que diz: “eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5). E unidos a São Paulo, poderemos dizer: “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”.
Vejamos o que o Papa Bento XVI diz sobre o evangelho da ressureição de Lazaro, na sua mensagem para a Quaresma deste ano:
“Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança”
Juntos com toda Igreja, em clima de oração, digamos: “Ó Deus, por quem fomos remidos e adotados como filhos e filhas, velai sobre nós em vosso amor de Pai e concedei aos que crêem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém”.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Fotos do Retiro do Movimento da Transfiguração em Natal

Segue abaixo algumas fotos do retiro do Movimento da Transfiguração que aconteceu em Natal, neste último final de semana (1, 2 e 3 de abril).










Para ver mais fotos, clique aqui



segunda-feira, 4 de abril de 2011

A oração do Angelus com Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs!


O itinerário quaresmal que estamos vivendo é um tempo de graça particular, durante o qual podemos experimentar o dom da benevolência do Senhor para conosco. A liturgia deste domingo, chamado ‘Laetare’, convida-nos à alegria, à plenitude, tal e como proclama a antífona da entrada da celebração eucarística: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!” (cf. Is 66, 10-11).
Qual é a razão profunda desta alegria? Diz-nos o Evangelho de hoje, em que Jesus cura um homem cego de nascimento. A pergunta que o Senhor Jesus dirige àquele que havia sido cego constitui o cume do relato: “Tu crês no Filho do Homem?” (Jo 9, 35). Aquele homem reconhece o sinal realizado por Jesus, e passa da luz dos olhos à luz da fé: “Eu creio, Senhor!” (Jo 9, 38). Há que ressaltar como uma pessoa simples e sincera, de forma gradual, realiza um caminho de fé: em um primeiro momento, encontra-se com Jesus como um “homem” entre os demais, depois o considera um “profeta”, finalmente, seus olhos se abrem e o proclama “Senhor”. Em oposição à fé do cego curado está o endurecimento do coração dos fariseus, que não querem aceitar o milagre, porque rejeitam acolher Jesus como o Messias. A multidão, em contrapartida, detém-se a discutir sobre o fato e permanece distante e indiferente. Os próprios pais do cego são vencidos pelo medo do julgamento dos demais.
E nós, que atitude assumimos frente a Jesus? Também nós, por causa do pecado de Adão, nascemos “cegos”, mas frente à fonte batismal fomos iluminados pela graça de Cristo. O pecado tinha ferido a humanidade, destinando-a à escuridão da morte, mas em Cristo resplandece a novidade da vida e a meta à qual fomos chamados. N’Ele, revigorados pelo Espírito Santo, recebemos a força para vencer o mal e realizar o bem. De fato, a vida cristã é uma configuração contínua a Cristo, imagem do homem novo, para chegar à plena comunhão com Deus. O Senhor Jesus é “a luz do mundo” (Jo 8, 12), porque n’Ele “resplandece o conhecimento da glória de Deus” (2 Cor 4, 6), que continua revelando na complexa trama da história qual é o sentido da existência humana. No rito do Batismo, a entrega da vela, acesa no grande círio pascal símbolo de Cristo Ressuscitado, é um sinal que ajuda a captar o que acontece no Sacramento. Quando nossa vida se deixa iluminar pelo mistério de Cristo, experimenta a alegria de ser libertada de tudo que ameaça sua realização plena. Nestes dias que nos preparam para a Páscoa, reavivemos em nós o dom recebido no Batismo, essa chama que às vezes corre o risco de ser sufocada. Que nós a alimentemos com a oração e a caridade com o próximo.
À Virgem Maria, Mãe da Igreja, confiamos o caminho quaresmal, para que todos possam encontrar Cristo, Salvador do mundo.


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Quarto domingo da Quaresma - ano A

O evangelho do quarto domingo é da narração da cura do cego de nascença (Jo 9,1-41).A narração do milagre em si é feita em poucas palavras, porque ele não é o centro do episódio, mas sim as discussões que são suscitadas por ele. é interessante perceber um detalhe no milagre: o fato de Jesus cuspir no chão e da mistura fazer barro. Isso nos faz ver que toda a narração tem como tema de fundo o Sacramento do Batismo – como veremos a seguir.
O barro nos faz lembrar a criação de Adão que foi modelado do barro (Gen 2,7). Assim, o Batismo que é evocado pelo gesto curador de Jesus através do barro, revela-se como uma nova criação, retirando o homem da cegueira do pecado para que ele receba a luz da fé. Nos primeiros tempos da Igreja, o Batismo era chamado de “iluminação”.
A figura do cego de nascença, na sua crescente opção por Jesus ao ponto de aceitar sofrer injúrias, perseguições e humilhações, nos motive, nesta Quaresma, a crescer e renovar todos os dias nossa opção por seguir a Jesus. Que possamos hoje, e todos os dias da nossa existência, dizer: “eu creio, Senhor!”. E em adoração, diante de Jesus, repetir o gesto do cego: “e ajoelhou-se diante de JesusI
Vejamos o que o Papa Bento XVI diz sobre o evangelho do cego de nascensa, na sua mensagem para a Quaresma deste ano:
“O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz»”
Juntos com toda a Igreja, em clima de oração, digamos: “Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheios de fervor e exultando de fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”.