quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os dons do Espirito Santo I - Dom do Temor de Deus


Nesta postagem damos início a uma série sobre os dons do Espirito Santo. Na verdade, são esquemas de palestras dadas por mim, que as pessoas pediram para ter acesso e que eu, para facilitar, resolvi colocar no Blog.
“Um broto vai surgir do tronco seco de Jessé, das velhas raízes, um ramo brotará. Sobre ele há de pousar o espírito do Senhor, espírito de sabedoria e compreensão, espírito de prudência e valentia espírito de conhecimento e temor do Senhor.” (Is 11,1-2).
Nesta profecia, vemos a promessa da vinda do Messias (Cristo) que se realiza na pessoa de Jesus. Ele é aquele sobre quem o Espírito Santo repousa em plenitude. É este mesmo Espirito que recebemos no nosso batismo e que nos é confirmado no sacramento do Crisma.
Os sete Dons do Espírito são uma forma de nos dizer que recebemos a plenitude do Espírito, já que o número sete tem o significado bíblico de plenitude e totalidade. Com isso percebemos que o Espírito vem a nós por inteiro. Na nossa experiência pessoal, a ação do Espírito é percebida por partes, e assim, a divisão pedagógica em sete Dons nos ajuda a compreender melhor a ação deste mesmo Espírito. Vamos à lista tradicional destes Dons:
Temor de Deus
Fortaleza
Piedade
Conselho
Ciência
Entendimento
Sabedoria
Para melhor compreender os dons, precisamos diferenciá-los das Virtudes. As virtudes são adquiridas pelo exercício perseverante do bem. Elas podem ser divididas em naturais e sobrenaturais: as virtudes naturais, como o próprio nome já diz, são adquiridas com o nosso empenho, sem uma percepção muito clara – por parte da pessoa – da graça de Deus. Como, por exemplo: a pontualidade, a responsabilidade e tantas outras. Já as virtudes sobrenaturais são o que poderíamos dizer uma sociedade entre o nosso esforço e a graça de Deus. Elas podem ser as mesmas virtudes naturais, mas sua força e operação são bem mais fortes e com maior perfeição.
Os Dons do Espírito Santo têm uma forma de operar bem superior a qualquer virtude, porque é o próprio Espírito agindo em nós. É uma forma de divinização da nossa natureza e, consequentemente, das nossas ações; é o que são Paulo nos diz “Já não sou eu que vivo mais é Cristo que vive em mim”.
Depois desta introdução podemos agora nos deter no primeiro Dom: o Temor de Deus. Ele nos introduz no relacionamento com Deus, no seu mistério de poder e santidade, gerando uma reverência amorosa, um reconhecimento profundo da grandeza e majestade de Deus, que gera, por conseguinte, uma rejeição ao pecado por este ser uma ofensa a Deus. Um exemplo forte da ação deste dom foi em São Domingos Sávio, que dizia: “Mil vezes morrer do que pecar”.
É tamanha a reverência, que é gerada no coração uma repulsa pelo pecado por ser ele uma absoluta injustiça para com aquele que é puro e santo e que, por amor, nos chama à comunhão com Ele. Desta forma, não é um medo e sim um conhecimento profundo da realidade do pecado perante a santidade e bondade de Deus.
Para receber este dom precisamos pedir, com oração constante e fervorosa, e, juntamente com isto, ter algumas atitudes: romper com os nossos pecados e nos afastar das ocasiões de pecado. Além disso, devemos exercitar uma virtude que nos prepara para acolher o Dom do Temor de Deus que é a virtude da temperança, especialmente, em relação aos nossos sentidos e hábitos. Usar de moderação no nosso comer, falar, dormir, naquilo que vemos e ouvimos, guardando todo o nosso ser dos excessos, que são meios para o pecado entrar no nosso coração.
O exercício desta vigilância em todas as nossas atitudes, nos possibilita um fortalecimento da nossa vontade e uma abertura para o Dom do Temor do Senhor, que vai penetrando nosso ser e nos transfigurando.

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